Rob Martin estava a 3,2 mil metros de altitude, e ventos de 80 km/h dificultaram seu resgate 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Durante mais de duas horas, os socorristas procuraram por Martin, mas não conseguiram localizá-lo — Foto: Reprodução/Redes Sociais Por mais de nove horas, o alpinista Rob Martin, de 51 anos, ficou preso em uma estreita faixa de pedra a cerca de 3,2 mil metros de altitude, durante uma escalada na Sierra Nevada, na Califórnia. Sem conseguir avançar ou retornar, ele temeu morrer caso perdesse o equilíbrio enquanto aguardava a chegada das equipes de resgate. — É muito assustador estar em uma situação em que você pensa: um movimento errado agora e acabou. Eu morro — contou Martin. Martin havia dirigido cerca de seis horas desde Oakland, na Califórnia, até a região e acampado sob as estrelas na Floresta Nacional de Inyo com um amigo. Na manhã seguinte, em 22 de agosto, os dois começaram a subir o Laurel Mountain, um pico de 3.602 metros de altitude localizado a cerca de 80 quilômetros a sudeste do Parque Nacional de Yosemite. A dupla iniciou a escalada por uma espécie de canal formado na rocha. Em alguns trechos, a passagem era praticamente vertical. Para evitar uma área coberta por pedras soltas, Martin saiu do canal e continuou pela lateral da montanha. Pouco depois, percebeu que havia chegado a um ponto sem apoio seguro. A rocha lisa o cercava, e ele não conseguia nem descer nem retornar para o canal. Em uma tentativa de se manter seguro, Martin passou uma corda ao redor de uma pedra que se projetava da parede. Mas até mesmo o ponto de apoio se movia. Ele então encontrou uma pequena beirada em uma pedra, com cerca de 15 centímetros de largura e 30 centímetros de comprimento. A metade das solas de suas botas de escalada ficava para fora da borda. Martin tentou chamar o amigo, mas o vento abafou sua voz. Ele chegou a ouvir o que poderia ter sido uma resposta, mas não tinha certeza se era realmente o companheiro ou apenas o eco. Ventos de 80km/h Com medo, ligou para o serviço de emergência por meio de um telefone via satélite. Por volta de 13h20, o pedido de socorro chegou à equipe de busca e resgate do condado de Mono, formada por voluntários. O resgate, no entanto, demoraria horas. Um helicóptero da Patrulha Rodoviária da Califórnia chegou a sobrevoar a região, mas os ventos eram fortes demais para que um socorrista pudesse içá-lo. Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, as rajadas chegaram a cerca de 80 km/h naquele dia. Enquanto esperava, Martin tentava movimentar partes do corpo uma de cada vez para manter a circulação. — Meus pés estavam muito cansados. Às vezes doía. Era desconfortável. Minhas pernas começaram a ter cãibras, assim como os pés e as mãos, porque eu estava segurando aquela parede — contou. Segundo Mitch Quiring, porta-voz da equipe de busca e resgate, vários socorristas foram mobilizados para encontrar o alpinista. Um helicóptero deixou Quiring e outro integrante da equipe na montanha. Durante mais de duas horas, os socorristas procuraram por Martin, mas não conseguiram localizá-lo. As coordenadas enviadas pelo telefone via satélite eram imprecisas. As equipes gritavam para tentar estabelecer contato, mas o vento levava suas vozes. Enquanto as horas passavam, Martin começou a temer que teria de passar a noite na montanha. O sol se aproximava do horizonte e ele tinha medo de adormecer e perder a força das mãos. — Isso teria sido muito difícil. Então tentei não pensar muito nisso — disse. Até que ouviu uma voz. — Ei, Rob! Você consegue me ver? — gritou um dos socorristas. Martin olhou ao redor, mas não conseguiu enxergar ninguém. Começou a gritar e, então, avistou uma jaqueta vermelha. — Eu consigo ver você! — respondeu. O socorrista, porém, parecia ainda não conseguir localizá-lo. Martin passou a acenar freneticamente com os braços, ainda preso pela corda que havia amarrado à rocha. — Ainda me lembro do tom da voz dele. Parecia uma criança no Natal. Ele disse: “Eu consigo ver você” — contou Martin. A possibilidade de passar a noite sozinho na montanha começou a desaparecer. Ele não estava mais sozinho. Os socorristas elaboraram um plano para instalar grampos e cordas na montanha e alcançar Martin com segurança. Quando começaram a se aproximar dele, o sol já havia se posto. — Naquele momento, achei que começaria a chorar como um bebê. Funguei um pouco e comecei a tremer — relatou. Martin foi finalmente retirado da montanha sem ferimentos. Depois do resgate, encontrou um hotel e tomou um banho. Ao todo, passou mais de nove horas agarrado à pequena beirada. O alpinista atribuiu à equipe de busca e resgate o mérito por ter salvado sua vida. — Minha gratidão por eles é eterna — afirmou.