Acredita-se que 933 trabalhadores estão presos em 11 projetos hidrelétricos, muitos deles em cerca de meia dúzia de túneis bloqueados nos distritos de Rasuwa e Nuwakot 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Um integrante da equipe de resgate trabalha na entrada de um túnel da usina hidrelétrica de Chilime durante as operações para resgatar pessoas presas após inundações repentinas e um deslizamento de terra que deixaram mortos, em Rasuwa, Nepal, em 29 de agosto de 2026, nesta captura de tela obtida de um vídeo publicado nas redes sociais. — Foto: Ashish Gurung/via REUTERS Equipes de resgate do Nepal, com a ajuda de especialistas chineses e indianos, intensificaram nesta segunda-feira os esforços para chegar a 933 trabalhadores que se acredita estarem presos em 11 projetos hidrelétricos, muitos deles em cerca de meia dúzia de túneis bloqueados nos distritos de Rasuwa e Nuwakot, dois dos mais atingidos pela avalanche de lama que devastou partes do Himalaia na semana passada. Fotos e vídeos compartilhados pelas equipes de resgate mostraram máquinas de terraplenagem escavando e removendo lama e pedras sob iluminação artificial durante a noite, enquanto trabalhadores acompanhavam as operações. Soldados usaram lanternas em uma grande escavação aberta para tentar encontrar uma passagem de acesso a um dos túneis. O Exército do Nepal afirmou que as equipes de busca e resgate usavam explosões controladas, escavadeiras e holofotes para retirar água e lama e chegar às pessoas presas. As equipes recuperaram três corpos após entrar em dois túneis, enquanto outros trechos permaneciam soterrados pela lama e continuavam sendo vasculhados. “Uma grande quantidade de detritos se acumulou, e isso representa um enorme desafio para conseguirmos abrir os túneis”, disse o porta-voz do Exército nepalês, Raja Ram Basnet. “Nosso principal foco é abrir os túneis.” A tragédia de gelo, rochas, lama e detritos sem precedentes que atingiu o Himalaia na semana passada deixou um rastro de destruição em cidades e vilarejos nos vales do território nepalês, assim como do outro lado da fronteira, na China. Um integrante da equipe de resgate trabalha na entrada de um túnel da usina hidrelétrica de Chilime durante as operações para resgatar pessoas presas após inundações repentinas e um deslizamento de terra que deixaram mortos, em Rasuwa, Nepal, em 29 de agosto de 2026, nesta captura de tela obtida de um vídeo publicado nas redes sociais — Foto: Ashish Gurung/via REUTERS Nesta segunda-feira, as autoridades nepalesas disseram que 903 pessoas tiveram suas mortes confirmadas e 4.247 estavam desaparecidas, incluindo as 933 nos projetos hidrelétricos. Do lado chinês, as autoridades informaram que 16 pessoas morreram no condado de Gyirong e 546 estavam desaparecidas. O Ministério das Relações Exteriores do Nepal afirmou que cerca de 590 estrangeiros de 39 países continuavam desaparecidos. Mais de 10 mil pessoas foram resgatadas da região atingida pelas inundações, incluindo 323 estrangeiros, acrescentou. A Cruz Vermelha estima que mais de 90 mil pessoas provavelmente tenham sido afetadas pelo desastre, que a China associou aos efeitos das mudanças climáticas. Acredita-se que o colapso de uma geleira tenha desencadeado o desastre. Centenas de corpos, muitos deles ainda não identificados, foram enterrados em covas rasas depois que começaram a se decompor devido ao clima úmido nas planícies do país, após terem sido arrastados das montanhas pela enxurrada. Expansão dos projetos hidrelétricos no Nepal O Nepal vive uma expansão dos projetos hidrelétricos desde o início deste século, à medida que o país montanhoso busca aproveitar seus recursos hídricos do Himalaia para enfrentar a escassez crônica de energia e explorar o potencial de venda de eletricidade para a Índia, seu vizinho ao sul. Os projetos hidrelétricos nas montanhas do Nepal precisam de túneis para transportar água pelo terreno íngreme, permitindo aproveitar a acentuada diferença de altitude entre os rios do Himalaia e as usinas para gerar eletricidade. O primeiro-ministro Balendra Shah afirmou que a inundação foi um “desastre natural devastador e sem precedentes” e que ainda era difícil fazer uma avaliação completa dos danos. Pequim afirmou que 261 estrangeiros de 23 países estavam desaparecidos no Tibete, nas proximidades de uma importante passagem de fronteira com o Nepal. Nesta segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que quase 100 cidadãos chineses continuavam sem contato no lado nepalês. Uma reunião do gabinete chinês pediu esforços máximos para localizar os desaparecidos, a divulgação de informações oficiais, medidas para enfrentar riscos e perigos ocultos e o aprimoramento das capacidades de gestão de emergências, informou a televisão estatal CCTV. Equipes de resgate usam escavadeiras para abrir caminho até um túnel do Projeto Hidrelétrico Trishuli 3A, após inundações repentinas e um deslizamento de terra que deixaram mortos, no distrito de Nuwakot, Nepal, nesta imagem de divulgação obtida pela Reuters em 31 de agosto de 2026 — Foto: Exército do Nepal/Divulgação via REUTERS Risco de lagos e deslizamentos Embora o Nepal tenha afirmado que não necessita de ajuda estrangeira para as operações de busca e resgate em geral, o país recorreu à experiência de seus dois grandes vizinhos, Índia e China, em resgates em túneis. As operações de resgate foram suspensas várias vezes devido ao mau tempo e ao temor de que um lago formado na fronteira entre Nepal e China pelo desastre possa provocar novas inundações, depois que começou a transbordar para rios nepaleses. Nesta segunda-feira, a CCTV informou que geleiras ao redor de uma cratera formada perto do local do colapso da geleira da semana passada, no lado nepalês, continuavam sob risco de desabamento. Imagens de drones mostraram vários depósitos provocados por deslizamentos ao longo das duas margens do rio, elevando o risco de novos desmoronamentos e da formação de novos lagos. A inundação da semana passada foi “causada pela instabilidade de geleiras sob os efeitos de longo prazo do aquecimento global”, informou a emissora estatal chinesa. Duas autoridades nepalesas disseram à Reuters que a China não compartilhou muitas informações sobre os riscos relacionados às geleiras e os níveis da água após uma reunião realizada no início deste ano para reforçar a cooperação. Segundo elas, a falta de compartilhamento de dados pode prejudicar a preparação para futuros desastres. O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que Pequim tem fornecido continuamente ao Nepal dados meteorológicos e hidrológicos e que continuará a “apoiar firmemente” os esforços nepaleses de resposta ao desastre e a proteger os interesses comuns dos dois países. Foto de divulgação, sem data, mostra equipes de resgate participando de uma operação nas proximidades de um túnel do Projeto Hidrelétrico Trishuli 3A, após inundações repentinas e deslizamentos de terra que deixaram mortos, em Rasuwa, Nepal — Foto: Exército do Nepal/Divulgação via REUTERS