Iniciativa busca preparar pequenas e médias empresas para atender novas exigências regulatórias e demandas de grandes companhias, bancos e investidores 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Danielly Mello Freire, engenheira ambiental e atual head do Brasil do GRI - Global Reporting Initiative — Foto: Arquivo pessoal A Global Reporting Initiative (GRI), organização responsável por um dos principais padrões globais de relato de sustentabilidade, vai ampliar sua atuação no Brasil com foco nas pequenas e médias empresas (PMEs). A entidade pretende capacitar inicialmente pelo menos 100 companhias — com meta de chegar a 150 — para que passem a coletar, organizar e reportar informações ambientais, sociais e de governança (ESG). O programa faz parte da nova estratégia do GRI para o país, que volta a ser uma prioridade da organização seis anos depois. A iniciativa terá apoio da Secretaria de Estado de Assuntos Econômicos da Suíça (SECO) e financiamento previsto até fevereiro de 2029. Mais do que ensinar as empresas a produzir relatórios de sustentabilidade, o programa pretende ajudá-las a incorporar os temas ESG à estratégia e à gestão dos negócios. A execução deverá envolver cerca de dez parceiros implementadores, entre consultorias e instituições que já trabalham com pequenas e médias empresas. Outra possibilidade prevista é envolver grandes companhias no desenvolvimento de suas próprias cadeias de fornecedores. Nesse modelo, uma empresa âncora poderá indicar de dez a 15 fornecedores de pequeno e médio porte para participar das capacitações. A iniciativa ocorre em um momento em que as empresas brasileiras estão sendo pressionadas a produzir informações de sustentabilidade não apenas por investidores, mas também por bancos, clientes e grandes companhias que precisam conhecer os riscos e impactos de suas cadeias de valor. Para as PMEs, essa pressão tende a aumentar à medida que novas regras e padrões passam a exigir informações que, muitas vezes, precisam ser obtidas também de fornecedores. Essa pressão tende a aumentar à medida que novas regras passam a exigir informações de sustentabilidade das empresas e de suas cadeias de valor. Na União Europeia, por exemplo, a Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD) estabelece regras de divulgação de informações de sustentabilidade, com base nos European Sustainability Reporting Standards (ESRS). Embora pequenas e médias empresas não listadas estejam, em geral, fora do escopo obrigatório da CSRD, grandes companhias precisam levantar informações de suas cadeias de valor, o que pode levar fornecedores menores a receber pedidos de dados ambientais e sociais. No Brasil, a Resolução CVM 193, posteriormente alterada pelas Resoluções CVM 227 e 193, incorporou ao mercado de capitais os padrões IFRS S1 e IFRS S2, elaborados pelo International Sustainability Standards Board (ISSB), para divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade. Em 2026, a CVM também editou as Resoluções 217 e 218, que tornam obrigatórios, para companhias abertas, os pronunciamentos brasileiros CBPS 01 (IFRS S1) e CBPS 02 (IFRS S2). Nesse cenário, mesmo empresas que não são diretamente obrigadas a publicar relatórios podem acabar tendo de fornecer dados para clientes, instituições financeiras ou companhias das quais fazem parte da cadeia de fornecimento. Há ainda uma pressão que não vem diretamente de uma obrigação legal para a PME, mas de seus clientes e financiadores. Uma grande empresa submetida a regras de reporte pode precisar de informações de fornecedores para cumprir suas próprias exigências. Bancos e investidores, por sua vez, também ampliam a demanda por dados capazes de avaliar riscos climáticos, ambientais e sociais. Ferramenta de adequação Além do trabalho direto com as PMEs, o GRI no Brasil já está desenvolvendo uma nova iniciativa para ajudar empresas de todos os portes e setores a identificar quais exigências regulatórias e compromissos de sustentabilidade se aplicam às suas atividades. Em novembro, durante um evento que será organizado em São Paulo pela organização, será apresentado o "Programa de Negócios Competitivos", que terá como principal entrega uma ferramenta baseada em inteligência artificial que, a partir de dados e informações preenchidas pelas empresas, apontará quais regras regulatórias são obrigadas a cumprir e quais as boas práticas voluntárias que podem ser interessantes, explica a executiva. A ferramenta está sendo desenvolvida a partir de um mapeamento jurídico-regulatório realizado pelo GRI em países da América Latina. No Brasil, o levantamento reúne exigências relacionadas a temas como governança, direitos humanos, educação, meio ambiente e ESG. O trabalho é feito em parceria com o escritório Demarest. "A ideia é que a empresa consiga, a partir da ferramenta, organizar e estruturar uma matriz de prioridades, de acordo com a sua organização", explica Danielly Mello Freire, diretora do GRI no Brasil. A ferramenta deverá considerar tanto obrigações legais — como licenças ambientais e normas trabalhistas — quanto requisitos voluntários e compromissos assumidos pelas companhias. A previsão é concluir o desenvolvimento em outubro e apresentar a solução publicamente em novembro. Em paralelo, o GRI também está em conversas com o Sistema B, movimento global B Corp, que certifica empresas comprometidas com o bem-estar da sociedade e do planeta , para fazerem, conjuntamente, uma equivalência de suas recomendações e simplificar os processos de levantamento e envio de dados pelas empresas interessadas em utitilizar GRI no reporte e se candidatar ao Selo B. Brasil entre os líderes Uma análise global publicada em junho colocou o Brasil em quinto lugar entre 132 jurisdições em adoção das normas e em terceiro quando considerada a capitalização de mercado. Entre as empresas brasileiras de capital aberto avaliadas, 71% utilizam os padrões GRI. As companhias que fazem relatos com base na metodologia representam 73% da capitalização de mercado brasileira. O desafio, agora, é levar essa maturidade para uma parcela maior do mercado empresarial. "Brasil não é apenas um dos mercados mais avançados do mundo em relato de sustentabilidade", afirmou Danielly. Para a executiva, o país também tem a oportunidade de transformar a sustentabilidade em vantagem competitiva e fazer com que os relatos produzam mudanças efetivas nos negócios. A nova estratégia do GRI também terá atenção especial a setores como agricultura e mineração. No mundo, as metodologias estão sendo aperfeiçoadas constantemente para trazer novas demandas, como, por exemplo, de Clima e Biodiversidade.
GRI lança programa para capacitar até 150 PMEs brasileiras em sustentabilidade
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