Mesmo passados quase 40 anos, Maria Raimunda dos Santos ainda consegue se lembrar da casa onde, segundo ela, sua vida mudou. Era uma fazenda no povoado Tanque Novo, em Riachão do Dantas, um município sergipano a cerca de 98,5 quilômetros de Aracaju, onde seu pai trabalhava para Rinaldo Costa e Silva, então integrante do Tribunal de Justiça do estado. A dona de casa tinha por volta de 12 anos quando afirma ter sido estuprada pelo magistrado, a quem fora ensinada a chamar de “doutor”. Ele, mais de 50.

Às sextas-feiras, Rinaldo deixava a capital e seguia para a propriedade. Os trabalhadores iam cuidar do pasto, e Maria Raimunda, a mais nova de 15 irmãos, permanecia na casa-sede para fazer a limpeza. Foi ali, de acordo com seu relato a CartaCapital, com a residência vazia, entre o banheiro e o sofá da sala, que os episódios se repetiram. “Eu, inocente, não sabia de nada. Ele me agradava com pirulito, com roupa…”.

A gravidez tornou impossível esconder o que acontecia. Maria Raimunda contou à mãe, e seu pai foi procurar o patrão. Na conversa, relembra a dona de casa, Rinaldo admitiu ter mantido relações com ela, prometendo que não deixaria faltar nada a ela nem à criança. Reconhecer o filho, porém, estava fora de cogitação. “Não posso, sou casado e juiz, perco meu cargo”, teria dito.