Máquinas são usadas em operações de todo o tipo, de cardíacas e oncológicas a transplantes. Nova geração de equipamentos calcula pressão que é feita nos tecidos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Robôs Da Vinci,produzidos pela Intuitive e comercializados no Brasil pela Strattner: o modelo 5 é o mais moderno e está na reta final de aprovação da Anvisa, esperando essa autorização para a comercialização no país — Foto: Divulgação/Da Vinci Vencer o surfista Gabriel Medina no Taiti pode parecer comum para o 11 vezes campeão mundial Kelly Slater. Mas, aos 54 anos e aposentado, o resultado teve sabor especial: nove meses antes, o americano passou pela colocação de uma prótese de quadril. A robótica permitiu uma recuperação ágil: ele caminhou horas após a operação, recuperou a mobilidade em 15 dias e, em menos de um ano, encarou as ondas da Polinésia Francesa. Comandos por meio de joystick em consoles ergonômicos são realidade em vários hospitais brasileiros, inclusive na rede pública. Além de agilizar procedimentos e torná-los mais seguros, a tecnologia embarcada nos novos robôs-cirurgiões, como o Da Vinci 5, que está em fase de aprovação na Anvisa, oferece cirurgia minimamente invasiva, com inteligência artificial e maior potência computacional. O paciente ganha principalmente com recuperação mais breve. —É uma plataforma disruptiva. O robô, quando criado, trouxe precisão, segurança e acesso, ou seja, performance cirúrgica. O DaVinci 5 traz outro conceito, de plataforma digital —explica Sérgio Lima, diretor da unidade de Robótica da Strattner, empresa brasileira que comercializa os robôs da fabricante americana. Segundo ele, há cerca de 11.700 DaVinci no mundo. São quatro braços robóticos com movimentos de 270 graus, um console onde o cirurgião fica sentado com campo de visão tridimensional e imagem aumentada em até 15 vezes. O Da Vinci 5 tem capacidade computacional 10 mil vezes maior do que a de quarta geração. É possível a gravação da cirurgia e sua análise com IA, apontando oportunidades de melhorias em cada etapa. Outra funcionalidade é a sinalização se o cirurgião estiver aplicando muita força no tecido, deixando o pós-operatório menos doloroso. Custo de até US$ 3,5 milhões O custo do Da Vinci lá fora varia de US$ 1 milhão a US$ 3,5 milhões, dependendo da configuração — aqui é mais caro. A mais nova geração, que começou a ser comercializada nos EUA em 2024 e no ano passado na Europa, deve chegar aos hospitais brasileiros neste ano. Há cerca de 180 robôs da linha Da Vinci no Brasil, sendo 40 na rede de atendimento público ou filantrópica. Trinta e três deles estão na Rede D’Or . —Hoje a cirurgia robótica é uma técnica disponível em 30 hospitais e mais de dez estados na Rede D’Or. É utilizada em larga escala, principalmente para cirurgias de alta complexidade, incluindo ortopedia, urologia, oncologia, transplantes, cardiologia e pneumologia. Traz precisão, segurança, menor tempo de internação, menos dor e menores índices de complicações — afirma Rodrigo Gavina, CEO de hospitais da Rede D'Or. Dentro do programa robótico da Rede D’Or, já foram realizadas mais de 35 mil cirurgias desde 2015, com uma taxa de crescimento anual de 55%. As principais inovações na rede são as cirurgias ortopédicas. O Barra D’Or (RJ) e o Vila Nova Star (SP) foram os primeiros hospitais do país a contar com a tecnologia Velys. A Mako, do Vila Nova Star, é a única do país a realizar prótese total de quadril, de joelho e prótese parcial de joelho. Além disso, a rede opera o robô para cirurgia geral e oncológica. Lima diz que a cirurgia de próstata representa 50% dos procedimentos no país. No mundo, principalmente nos EUA, a cirurgia geral lidera, seguida por ginecologia e urologia. Pioneiro no uso da robótica no Brasil, com a primeira cirurgia em 2008, o Einstein Hospital Israelita, em São Paulo, tem o maior parque robótico da América Latina e o maior volume de casos anualmente realizados na região. Das 41.138 cirurgias feitas em 2025, 2.281 foram robóticas. O Centro de Excelência em Cirurgia Robótica do Einstein reúne sistemas como Da Vinci, Hugo Ras, Mazor, Skywalker, Rosa e Mako, que são usados para tratamento cirúrgico em tecidos moles, como a retirada da próstata, em cirurgias do aparelho digestivo, do tórax, ginecológicas, de cabeça e pescoço, e até cardíacas. — No caso da cirurgia oncológica, a robótica oferece os melhores resultados, recuperação mais rápida, menor duração de internação e menos complicações — explica Sérgio Araújo, diretor da rede cirúrgica do Einstein. A Rede Américas fez a primeira cirurgia robótica assistencial da América Latina, usando um robô de telecirurgia no Hospital Nove de Julho (SP) em parceria com um hospital de Porto Alegre. —Também praticamos a telepresença. Um preceptor que está treinando uma cirurgia não precisa ir ao hospital. Para isso, conectamos os robôs e podemos participar de forma ativa de um caso para o processo ter uma segunda opinião de um médico de outro hospital — explica Fernando de Barros, coordenador do Programa de Cirurgia Robótica da Rede Américas no Rio de Janeiro. Desafio da formação Gavina afirma que a cirurgia cardíaca robótica ganhou escala neste ano na Rede D’Or. A Rede Américas está prestes a iniciar este ano transplantes e cirurgias cardíacas robóticas, diz Barros: — Cirurgias muito complexas, que eram feitas só com o abdome aberto, podem ser feitas por via robótica, como transplantes de órgãos como o de rim, que já é feito pela Rede Américas por via robótica. Embora esteja em expansão, a robótica enfrenta dificuldade na formação das equipes. O Einstein mantém programas de pós-graduação voltados a médicos e enfermeiros. — Temos o maior programa de treinamento em cirurgia robótica no Brasil em volume. Temos cinco pós-graduações de cirurgia robótica. Formamos pelo menos 150 médicos por ano nesse sistema — diz Araújo, acrescentando que o Einstein também apoia a implantação estruturada de programas de cirurgia robótica em outras organizações.
Nas mãos dos robôs teleguiados: cirurgias robóticas ganham escala em hospitais privados e da rede SUS
Máquinas são usadas em operações de todo o tipo, de cardíacas e oncológicas a transplantes. Nova geração de equipamentos calcula pressão que é feita nos tecidos








