Eleições 2026

Por Carmem Leitão e Leonardo Avritzer*

Imagine perguntar a uma inteligência artificial quais regras protegem as eleições brasileiras contra o uso abusivo da própria IA. Em duas respostas consecutivas, o texto chega organizado, seguro e repleto de números. A primeira cita uma resolução específica do Tribunal Superior Eleitoral, 1.243 remoções e um endereço eletrônico com aparência oficial. A segunda apresenta uma lei federal, aplicativos de fiscalização, 1.870 verificações, um percentual exato e outros endereços.

Há, porém, um problema: o conjunto documental não se sustenta. A resolução indicada não corresponde à norma citada; a suposta Lei nº 14.890/2026 não existe com aquele conteúdo. A Lei nº 14.890 que existe é de 2024 e abre crédito para o Ministério da Educação. A precisão encenava autoridade.

Essas duas respostas consecutivas apareceram em agosto no “Projeto IA Eleições 2026” e foram atribuídas, no arquivo, a uma das nove plataformas monitoradas. Formam um estudo de caso, não uma taxa de falha nem um diagnóstico permanente sobre uma marca: a identificação pública do serviço depende da conferência da captura original.