A última fase da campanha começou, com TV e rádio. Falta pouco mais de mês para o primeiro turno. Não raro ocorre mudança relevante na votação de candidatos a presidente nessas semanas. Como em quase toda temporada final de caçada de votos, esta coluna recorda reviravoltas, nota que há a fazer na campanha e enfatiza que pesquisa eleitoral não é previsão de resultado, mas retrato de momento.

A eleição mais parecida com a deste ano é a de 2022. Desde o final de agosto de 2022, Luiz Inácio Lula da Silva tinha ao menos 45% dos votos, com picos de 48%, segundo o Datafolha. Jair Bolsonaro tinha 32% em agosto, 34% em 9 de setembro e aí ficou até o primeiro turno. Na urna, deu 46,3% para Lula (votos totais) e 41,3% para Bolsonaro.

Nas pesquisas de eventual segundo turno (antes, pois, do primeiro), Lula tinha 53% ou 54% dos votos totais (58% dos válidos). Bolsonaro, 38% ou 39%. Na urna, deu 50,9% dos válidos para Lula.

Pesquisa não é previsão, mas a discrepância entre pesquisas e voto de Bolsonaro no primeiro turno foi notável. Amostras baseadas no envelhecido Censo de 2010 contribuíram para a subestimação. O voto bolsonarista camuflado e a taxa mais alta de recusa a responder a pesquisas devem ter causado erro sistemático.