Fernanda Bolsonaro participou da preparação e orientou o marido a olhar para a câmera 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro (PL) em sabatina da TV Globo — Foto: Globo/ Manoella Mello O candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, passou mais de uma semana se preparando para a entrevista que concedeu nesta sexta-feira à TV Globo. Na reta final, o treinamento passou a reproduzir o formato da sabatina, com um homem e uma mulher escalados para simular as funções de César Tralli e Renata Vasconcellos. A mulher que participou da série de questionamentos prévios era a própria esposa do candidato, Fernanda Bolsonaro. No dia da entrevista, Flávio passou o dia inteiro dedicado à preparação para a sabatina, segundo interlocutores. Como o candidato não tem participado de debates, a campanha tratava a entrevista como uma oportunidade para responder a questionamentos diante de um grande contingente de eleitores e mostrar que estava disposto a enfrentar perguntas sobre sua trajetória. Além de assumir o papel de entrevistadora nas simulações, Fernanda também orientou o marido sobre sua postura diante das câmeras. Durante os treinamentos, insistia para que Flávio olhasse diretamente para a câmera ao responder aos questionamentos. A justificativa, segundo auxiliares, era que ele deveria "falar com o povo". A participação da esposa no treinamento ocorre em meio ao aumento de seu espaço na campanha. Mulher de Flávio, Fernanda é dentista e tem aparecido com mais frequência tanto em eventos eleitorais quanto nos bastidores da candidatura. A estratégia busca, entre outros objetivos, aproximar o candidato do eleitorado feminino e reforçar uma imagem ligada à família. Fernanda já vinha sendo incorporada às ações da campanha voltadas às mulheres e deve ganhar ainda mais espaço na agenda eleitoral. A avaliação entre aliados é que sua presença pode ajudar Flávio a construir uma imagem mais próxima desse eleitorado e apresentar uma dimensão mais familiar da candidatura. Ela também foi citada por Flávio em suas primeiras inserções do programa eleitoral, transmitidas nesta sexta-feira. Segundo interlocutores, o treinamento foi além das perguntas que foram feitas na entrevista. A equipe antecipou que Flávio poderia ser confrontado com temas espinhosos de seu passado político e preparou respostas para assuntos como as acusações de rachadinha, o caso Dark Horse e sua relação com Adriano da Nóbrega — questões que eram tratadas como inevitáveis de aparecem dentre os questionamentos. Parte desse roteiro acabou aparecendo na entrevista. Flávio foi questionado sobre a homenagem que concedeu a Adriano, sobre a relação com Daniel Vorcaro e o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, além da condenação do pai pela trama golpista, das urnas eletrônicas e das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. No caso do Dark Horse, Flávio afirmou que não houve contrapartida em seu mandato para o financiamento do filme e disse que "não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar financiamento para o filme do próprio pai". Apesar disso, quando questionado se apresentaria detalhes dos valores gastos no filme, Flávio se esquivou, afirmando que se tratou de "uma relação privada". — Todo o patrocínio que foi feito foi usado no filme. Eu pedi à produtora que apresentasse a prestação de contas, e isso foi feito na investigação que corre na Polícia Civil de São Paulo. É do completo interesse dar transparência. O que a perícia conclui? Que não tem um centavo de dinheiro público. É uma relação totalmente privada. E mostra que o filme custou mais do que o patrocínio que ele fez. Já sobre Adriano da Nóbrega, sustentou que a homenagem ocorreu quando o ex-policial ainda era reconhecido no Bope e que não havia, à época, informações que o relacionassem a crimes.