Se Donald Trump não tivesse decidido perdoá-lo, Juan Orlando Hernández estaria numa prisão americana, pagando uma pena de 45 anos. Em vez disso, o ex-presidente de Honduras voltou a seu país no mês passado, foi recebido por seguidores e reapareceu nos tribunais, onde responde a acusações de fraude e lavagem de dinheiro, que nega.
Conhecido como JOH, Hernández governou Honduras de 2014 a 2022 e foi condenado por um júri de Nova York por participar de uma das maiores conspirações de narcotráfico da região. Segundo a Justiça americana, usou a Presidência, a polícia e as Forças Armadas para proteger traficantes e facilitar a passagem de mais de 400 toneladas de cocaína para os Estados Unidos.
É difícil encontrar contradição mais eloquente para a política de Trump na América Latina. Se o narcotráfico justifica ações militares, ataques aéreos e pressão sobre governos, por que libertar um homem condenado pela própria Justiça americana por ajudar a inundar o país de cocaína?
Honduras já era uma das principais rotas da droga quando Hernández chegou à Presidência prometendo combater o crime. Anos depois, promotores americanos sustentariam que recebia milhões de dólares do narcotráfico e protegia traficantes .











