O vice-ministro da Indústria da China, Xin Guobin, anunciou na quarta-feira (26) mais um pacote contra a guerra de preços entre as montadoras do país, numa entrevista sobre o início do 15º Plano Quinquenal. A disputa chegou ao ponto em que empresas vendem carros perto do custo de produção e cobrem o rombo atrasando o pagamento de fornecedores, e é isso que Pequim tenta interromper há dois anos.

A palavra que o governo usa é neijuan (内卷), literalmente traduzida como "involução", mas usada neste contexto para descrever a corrida em que todos gastam mais para ficar no mesmo lugar.

Ela entrou no vocabulário oficial em julho de 2024 e tem sido apontada como motivação para que a cúpula econômica do partido conduza a regulação de governos locais. Isso porque a origem do problema está nessa ponta: a capacidade automotiva foi erguida por províncias que disputaram montadoras com terreno barato, crédito e isenção, até formar um parque maior do que o mercado interno consegue absorver.

As medidas seguintes têm tentado atacar o sintoma, mas a um custo alto que certamente levará marcas eficientes à bancarrota. Em junho do ano passado, 17 montadoras prometeram pagar seus fornecedores em até 60 dias, já que os fabricantes de peças estavam bancando a guerra de preços com o próprio caixa.