A área técnica da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) pediu a suspensão ou anulação da licença de instalação de Belo Sun, o maior empreendimento de ouro a céu aberto do Brasil, na região da Volta Grande do Xingu, no Pará —mesma área da usina hidrelétrica de Belo Monte.

O posicionamento consta em ofício da Diretoria de Gestão Ambiental e Territorial, revelado pela Agência Pública e ao qual a Folha também teve acesso. Datado do último dia 7, o documento vai no sentido oposto do que entendeu o órgão indigenista durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Atualmente, o caso está em análise no TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região). A licença foi validada pela Secretaria de Meio Ambiente do Pará em abril deste ano.

O principal argumento da Funai é que os estudos de impacto levados em consideração para autorizar o empreendimento ignoram a existência de uma série de comunidades indígenas que podem ser atingidos pela mineração.

Além disso, o órgão aponta divergências relativas ao uso de água, diz que as análises encomendadas pela empresa ignoraram a barragem de rejeitos de Ouro Verde e não consideraram outros empreendimentos que ficam na mesma região.