Na avaliação da consultoria, o governo deve entrar com algum tipo de ajuda para atividades como varejo e construção Foto: Tiago Queiroz/Estadão - 13/11/2025A situação financeira difícil das empresas pode piorar ainda mais, por conta de um ambiente de aumento da restrição ao crédito, consumidor endividado e juros caindo muito lentamente. Construção civil e material de construção podem ser os próximos setores a registrarem um aumento nas empresas com problemas, avalia a consultoria Galeazzi & Associados, famosa por ter participado da reestruturação de grandes grupos brasileiros.PUBLICIDADE“Setores em que o consumidor consegue adiar a decisão de compra, como eletroeletrônico, material de construção e construção civil, estão sob pressão”, disse o diretor da Galeazzi, Claudio Santos.No momento, há um ambiente com uma “tempestade perfeita”, marcada por um quadro de juros altos, endividamento em recorde histórico, concorrência com gigantes de tecnologia, bancos mais criteriosos no crédito e Bets corroendo a renda das pessoas.Bancos estão cautelosos com créditoCom a inadimplência ainda em alta, Santos observa que os bancos seguem muito cautelosos no crédito, como mostraram os balanços do segundo trimestre. No caso mais recente, a Caixa Econômica Federal divulgou ontem que a inadimplência na carteira de agronegócio saiu de 7,6% há um ano e bateu em 20,7%. No Banco do Brasil, a inadimplência no cartão de crédito chegou a 15%.Para alguns setores, como o varejo e a construção civil, os executivos da Galeazzi defendem que o governo entre com algum tipo de ajuda. “Não tem setor que aguente três anos de juros altos.” As companhias resolveram investir ou comprar outras empresas e se endividaram muito com os juros baixos. Agora estão tendo que lidar com as dívidas com as taxas em dois dígitos, e um mercado consumidor mais desafiador, ressalta Santos.PublicidadeHá ainda setores mais expostos a taxas de juros. Um deles é o eletroeletrônico, como a Casas Bahia, que vende o produto e o financiamento para a compra desse produto. E para isso, precisa captar no mercado, que diante do ambiente mais incerto ficou mais retraído a emprestar. Assim, setor com margem baixa, como é o caso do varejo, e que precisa financiar seu estoque, estão em situação bem complicada, diz.Pelo lado dos consumidores, as famílias mais endividadas e com renda que passou a ser direcionada para outros gastos, como as Bets, também afetou as vendas do varejo e outros setores, o que deve respingar na construção civil. E ainda há uma mudança estrutural do mercado, com a concorrência dos gigantes de comércio eletrônico, como Mercado Livre, Amazon e Shopee.Empresa foi fundada em 1995A consultoria foi fundada em 1995, pelo empresário Claudio Galeazzi e se tornou uma referência no Brasil em reestruturação operacional e financeira, ganhando a fama de “salvar empresas”, como o Pão de Açúcar, por exemplo. Nesta nova fase, a empresa quer atender companhias médias, com faturamento anual médio na casa dos R$ 200 milhões a R$ 500 milhões.A percepção da consultoria, pela sua experiência, é que muitas empresas demoram tempo demais para tomar a decisão de reestruturação. E quando tomam, já é tarde, ressalta o sócio Ronei Machado. No caso de companhias familiares, por exemplo, há ainda muita relutância de fechar lojas e queimar estoques. “Há ainda o conceito de ter a loja para marcar território, outros querem ter loja grande para dar visibilidade. Hoje não dá para ter esse luxo”, afirma.Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 27/08/2026, às 17:38PublicidadeA Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.Para saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.Vale ler tambémO Brasil se aproxima do topo do comércio agrícola mundial Três Poderes em campanha: vale-tudo tenta resguardar Supremo contra um Senado mais à direita em 2027Justiça troca cúpula da administração judicial na liquidação da Oi