Ex-comandante sérvio-bósnio cumpria prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade; ele foi responsabilizado pelo massacre de cerca de 8 mil homens e meninos em Srebrenica 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ratko Mladic, ex-comandante militar sérvio-bósnio condenado à prisão perpétua — Foto: Reprodução/X Ratko Mladic, ex-comandante militar sérvio-bósnio condenado à prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, terá um funeral com honras militares e de Estado. Conhecido como "Carniceiro da Bósnia" por seu papel na guerra da Bósnia e, particularmente, no massacre de Srebrenica, o ex-general morreu na quinta-feira, aos 84 anos. O anúncio foi feito pelo ministro da Justiça da Sérvia, Nenad Vujic. Segundo ele, o governo aguarda informações das autoridades de Haia, nos Países Baixos, sobre a entrega do corpo de Mladic. — Estamos prontos para ir a Haia assim que soubermos quais serão os próximos passos — afirmou Vujic à rádio sérvia K1. De acordo com o ministro, Mladic receberá "todas as honras militares e de Estado a que tem direito". A decisão chama atenção pelo histórico do ex-general, condenado pela Justiça internacional por algumas das maiores atrocidades cometidas na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Mladic comandou as forças sérvias-bósnias durante a guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995. Em 2017, foi condenado à prisão perpétua pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. A sentença foi confirmada em recurso em 2021. Entre os crimes pelos quais foi responsabilizado está o massacre de Srebrenica, em julho de 1995. Cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos bósnios foram mortos depois que forças sérvias-bósnias tomaram a região, que havia sido declarada uma "área segura" pelas Nações Unidas. O massacre é reconhecido internacionalmente como genocídio. Mladic também foi condenado por perseguições, assassinatos, deportações e pelo terror imposto à população civil durante o cerco de Sarajevo, que se prolongou por quase quatro anos. A guerra da Bósnia deixou cerca de 100 mil mortos e milhões de deslocados. Capturado após 16 anos foragido Após o fim do conflito, Mladic passou anos escondido. Procurado pela Justiça internacional, foi capturado somente em 2011, na Sérvia, depois de 16 anos foragido, e posteriormente transferido para Haia. Apesar das condenações, o antigo comandante continua sendo tratado como herói por setores nacionalistas sérvios e sérvios-bósnios. Sua imagem ainda aparece em murais e manifestações na região, enquanto sobreviventes e familiares das vítimas de Srebrenica o associam diretamente ao genocídio. Mladic estava gravemente doente havia meses. Pouco antes de sua morte, o Mecanismo Residual Internacional para Tribunais Penais, ligado à ONU e responsável pelas funções remanescentes do tribunal para a ex-Iugoslávia, havia rejeitado um pedido para que ele fosse transferido a um hospital militar em Belgrado.