Ratko Mladic, o ex-general sérvio cujas ações durante as guerras dos Bálcãs na década de 1990 lhe renderam o apelido de "Açougueiro da Bósnia" e que foi responsabilizado pelo massacre mais letal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) —o assassinato de cerca de 8.000 homens e meninos muçulmanos em Srebrenica, em 1995—, morreu sob custódia em Haia. Ele tinha 83 anos.
Sua morte foi anunciada nesta quinta-feira (27) pela mídia estatal sérvia. Autoridades em Haia disseram que ele morreu enquanto estava hospitalizado, devido a um acidente vascular cerebral (AVC).
Mladic foi capturado em 26 de maio de 2011, em um vilarejo agrícola ao norte de Belgrado, capital da Sérvia, depois de quase 16 anos foragido, encerrando uma das buscas mais longas da história moderna. Sua condenação por um tribunal internacional em 2017, sob acusações de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra, marcou o fim de um capítulo sombrio e sangrento na história europeia.
Ao proferir a sentença de prisão perpétua, o juiz presidente, Alphons Orie, afirmou que os crimes de Mladic estavam "entre os mais hediondos conhecidos pela humanidade". Mladic recorreu da decisão, que foi mantida em 2021.
As guerras dos Bálcãs eclodiram quando a Iugoslávia se desintegrava em Estados independentes. Slobodan Milosevic, o então presidente nacionalista da Sérvia, um desses Estados, estava decidido a criar uma Grande Sérvia. Ele reacendeu antigas hostilidades étnicas e religiosas e iniciou guerras que colocaram os sérvios contra eslovenos, croatas, bosníacos e albaneses de Kosovo.










