Dos 22 postulantes aos governos estaduais que contam com apoio do partido, seis confirmaram ao GLOBO menções ao presidenciável no primeiro programa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro chega à Praia de Copacabana para primeiro ato da campanha presidencial de 2026 — Foto: Mauro Pimentel/AFP A estreia da propaganda eleitoral nos estados deve ter a presença limitada do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mesmo entre candidatos a governador apoiados pelo PL. Dos 22 nomes que contam com o partido do presidenciável em suas coligações, apenas seis confirmaram ao GLOBO que pretendem exibir imagens, fazer menções ou pedir votos a Flávio já no primeiro programa de televisão. A ausência reúne situações políticas distintas. Há desde candidatos que receberam o apoio do PL em acordos estritamente estaduais e não fazem campanha para Flávio, casos de Ciro Gomes (PSDB), no Ceará, ACM Neto (União), na Bahia, e JHC (PSDB), em Alagoas, até aliados nacionais do presidenciável que preferiram não colocá-lo na primeira peça. É nesse segundo grupo que está Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo. Entre aqueles que confirmaram a presença do senador estão Tião Bocalom (PSDB), no Acre, Eduardo Riedel (PSD), em Mato Grosso do Sul, Sergio Moro (PL), no Paraná, e Jorginho Mello (PL), em Santa Catarina. Mesmo nesses palanques, a associação terá intensidades diferentes. Riedel fará pedido de voto para Flávio, enquanto Moro terá uma referência mais sutil. A fotografia da largada mostra um dos desafios de Flávio para converter a capilaridade eleitoral do PL em palanques para sua candidatura. O partido montou uma rede ampla de alianças para os governos estaduais, inclusive com políticos que não integram o bolsonarismo e, em alguns casos, não apoiam o senador para presidente. O resultado é que estar numa coligação sustentada pelo PL não significa necessariamente dividir com Flávio o espaço mais valioso da campanha local. Isso fica mais evidente em Ceará, Bahia e Alagoas. Ciro, ACM Neto e JHC não devem colocar Flávio em seus programas de estreia e tampouco fazem campanha para ele. Aliados envolvidos nas articulações ressaltam que os entendimentos com o PL foram construídos em torno das disputas estaduais e não incluíram compromisso de apoio na eleição presidencial. No Ceará, a campanha de Ciro afirma que a separação será completa. O primeiro programa não fará referência a Flávio nem a qualquer outro candidato ao Planalto. Segundo sua equipe, o ex-ministro está “100% focado no Ceará”. A ausência de Tarcísio tem outra explicação. Diferentemente dos três, o governador de São Paulo é aliado de Flávio e participa da estratégia nacional do presidenciável, mas não o levará ao primeiro programa. A escolha indica que mesmo alguns dos palanques mais próximos politicamente preferem usar a largada do horário eleitoral para apresentar a candidatura estadual antes de intensificar a associação nacional. No Rio, ocorre movimento semelhante. Douglas Ruas é o candidato apoiado por Flávio e pretende explorar essa associação ao longo da campanha, mas o presidenciável aparecerá apenas em uma fotografia no programa de estreia. A campanha decidiu usar os pouco mais de dois minutos disponíveis para apresentar Ruas, ainda pouco conhecido pelo eleitorado. A avaliação de seus auxiliares é que a associação com Flávio será importante para identificá-lo como o representante do bolsonarismo no estado, mas que, antes disso, é preciso construir uma imagem própria para o candidato. A previsão é que o presidenciável comece a ganhar espaço na propaganda a partir de quarta-feira. A equipe também leva em consideração a expectativa de audiência menor no primeiro dia. Na peça preparada para a estreia, Ruas conta sua trajetória a partir da infância em São Gonçalo e de sua experiência na polícia e na gestão pública. O programa contrapõe o “Rio do cartão-postal”, da orla e das praias, ao que chama de “Rio Real”, formado pela Baixada, São Gonçalo, zonas Norte e Oeste e interior, e usa a segurança pública como principal eixo de apresentação. — Meu nome é Douglas Ruas, tenho 37 anos, sou filho do Rio que não sai na novela — afirma. A nacionalização aparece por outro caminho. Embora Flávio não seja citado nem apareça no primeiro programa, a peça exibe uma fotografia de Lula (PT) ao lado de Eduardo Paes (PSD), adversário de Ruas, também sem mencionar nominalmente o presidente. A estratégia é começar a estabelecer a associação do prefeito com o petista enquanto deixa para os programas seguintes a entrada mais explícita de Flávio. Em outros estados, a associação será mais direta. A campanha de Eduardo Riedel informou que o governador fará pedido de voto para Flávio. No Acre, Tião Bocalom também confirmou a presença do senador e sua equipe ressalta que o candidato é fortemente identificado ideologicamente com Bolsonaro. Jorginho Mello fará referência ao presidenciável em Santa Catarina. No Paraná, Moro optou por uma associação mais cuidadosa. A peça usará a aproximação para apresentar uma reconciliação entre dois campos que já protagonizaram atritos: — No Paraná, duas forças conservadoras de direita estão unidas e em paz: lavajatistas e bolsonaristas. Até a noite de quinta-feira, não haviam informado ao GLOBO se pretendem usar Flávio na estreia as campanhas de Dr. Furlan (PSD-AP), Maria do Carmo (PL-AM), Marcos Rogério (PL-RO), Arthur Henrique (PL-RR), Efraim Filho (PL-PB), Joel Rodrigues (PP-PI), Álvaro Dias (PL-RN), Ricardo Marques (PL-SE), Celina Leão (PP-DF), Wellington Fagundes (PL-MT), Lorenzo Pazolini (Republicanos-ES), Flávio Roscoe (PL-MG) e Zucco (PL-RS). No Senado, Flávio também deve ter presença limitada Flávio também não deve ser citado na estreia de todos os candidatos ao Senado que contam com seu apoio. Entre eles estão nomes de peso, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, no Distrito Federal, e o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP), em Alagoas, que não devem mencionar o presidenciável no primeiro programa. Nesse caso, porém, a comparação com as disputas estaduais exige uma ressalva. O tempo reservado à propaganda dos candidatos ao Senado é menor, o que reduz o espaço disponível para associações com candidatos à Presidência.