Encontro terá postulantes de diferentes partidos apoiados pelo presidenciável e será usado para definir atuação conjunta e produzir material eleitoral 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), junto ao governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e os pré-candidatos ao Senado por SP André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP)ao Senado por São Paulo — Foto: Vittor Sales/Divulgação O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) reúne nesta terça-feira candidatos ao Senado pelo país para tentar transformar as disputas estaduais em uma extensão de sua campanha ao Planalto. O encontro, que deve reunir cerca de 50 postulantes, será usado para alinhar discursos, organizar agendas conjuntas e produzir uma série de conteúdos com o presidenciável para serem explorados durante a campanha nos estados. A reunião ocorre às vésperas do início oficial da campanha e terá como um dos principais eixos a estratégia para o Senado, tratado pelo bolsonarismo como prioridade nesta eleição. Flávio deverá reforçar aos candidatos a orientação para que associem suas campanhas à presidencial e levem aos estados bandeiras nacionais defendidas pelo grupo, entre elas as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Além da discussão política, o encontro terá uma função prática. Flávio pretende aproveitar a passagem dos candidatos por Brasília para gravar conteúdos individualmente e em grupos, que poderão abastecer redes sociais, programas eleitorais e outros materiais das campanhas estaduais. A intenção é sair da reunião com peças prontas para aproximar o presidenciável de candidatos que estarão espalhados pelo país durante os pouco mais de 40 dias de campanha. A campanha trabalha com uma relação de 47 postulantes ao Senado apoiados por Flávio, embora a expectativa seja de que o número de participantes do encontro ultrapasse 50. A lista vai além do próprio PL e reúne candidatos de PP, União Brasil, Republicanos, PSD, Podemos, Novo, MDB e PSDB, inclusive partidos que não aderiram formalmente à candidatura presidencial. A presença de nomes de outras legendas é vista pela campanha como uma forma de ampliar a capilaridade de Flávio para além da coligação que conseguiu reunir nacionalmente. Em estados onde não dispõe de uma aliança formal, a estratégia é recorrer a candidatos individualmente alinhados ao presidenciável para organizar agendas, mobilizar apoiadores e incorporar sua imagem aos materiais locais. Um exemplo é São Paulo. Flávio apoia André do Prado, do PL, e Guilherme Derrite, do PP, embora a federação formada por PP e União Brasil tenha decidido manter neutralidade na eleição presidencial. Derrite, no entanto, apoia individualmente Flávio e participa da estratégia de aproximar as campanhas ao Senado da reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e da disputa nacional. Senado como prioridade O encontro também servirá para reforçar uma estratégia que antecede a própria candidatura presidencial de Flávio. Antes de ser preso, Jair Bolsonaro já defendia que a eleição para o Legislativo poderia ser até mais importante para seu grupo político do que a disputa pelo Planalto. Neste ano, 54 das 81 cadeiras do Senado estarão em jogo, todas para mandatos de oito anos. A Casa ganhou centralidade para o bolsonarismo principalmente por suas atribuições em relação ao Supremo. Cabe aos senadores analisar indicações feitas pelo presidente da República para a Corte e processar e julgar ministros nos casos previstos pela Constituição. Aliados de Bolsonaro também acumulam pedidos de impeachment contra integrantes do tribunal, sobretudo Alexandre de Moraes. É nesse contexto que Flávio deverá pedir aos candidatos reunidos em Brasília que ampliem as críticas ao STF durante a campanha. A intenção é fazer com que o tema não fique restrito ao discurso presidencial e seja reproduzido nas disputas estaduais, associando a eleição de uma bancada maior no Senado à possibilidade de aumentar a pressão política sobre a Corte. Campanhas casadas A outra frente do encontro será eleitoral. Com pouco mais de 40 dias para percorrer o país, a campanha considera impossível que Flávio tenha presença física relevante em todos os estados e pretende usar os candidatos ao Senado como pontos de apoio para sua candidatura. A orientação é que os postulantes ajudem a preparar as viagens do presidenciável, mobilizem suas estruturas políticas e produzam conteúdo associado à campanha nacional. Onde houver dois candidatos apoiados por Flávio, a intenção é tentar fazer com que as campanhas caminhem de forma coordenada, sem transformar a disputa pelas duas vagas em uma competição que prejudique o restante da chapa. A reunião também permitirá medir o alcance dessa articulação. Flávio divulgou na semana passada uma lista de 47 candidatos que apoia ao Senado. Há desde nomes diretamente ligados ao bolsonarismo, como Michelle Bolsonaro e Bia Kicis no Distrito Federal, Carlos Bolsonaro e Carol de Toni em Santa Catarina e Carlos Portinho e Carlos Jordy no Rio, até aliados de outras legendas, como Derrite em São Paulo, Arthur Lira (PP-AL) em Alagoas e Lucas Barreto (PSD-AP) no Amapá. Depois da reunião, a articulação seguirá para os estados. Flávio viaja na quarta-feira para São Paulo, onde terá uma nova rodada de encontros com candidatos e aliados. O estado, maior colégio eleitoral do país, é considerado uma das prioridades da campanha presidencial e será um dos principais testes da estratégia de fazer as disputas locais caminharem de forma casada.