Na história política brasileira, é difícil pensar em duas figuras mais antagônicas do que Carlos Lacerda e Leonel Brizola. Um personificava tudo aquilo a que o outro se opunha.

Nascido em 1914, no Rio de Janeiro, Carlos Lacerda vocalizou como poucos a direita liberal brasileira, que se caracterizava pela oposição ferrenha ao nacionalismo trabalhista, do qual Brizola, gaúcho de origem e oito anos mais novo, foi uma das expressões mais radicais.

É digno de nota, portanto, o lançamento quase simultâneo dos primeiros volumes de duas excelentes biografias, editadas pela Companhia das Letras, sobre ambos os políticos brasileiros. Pode ser um mero acaso, mas, como diziam os surrealistas, muitas vezes o acaso é “objetivo”, na medida em que responde a circunstâncias históricas determinadas.

Karla Monteiro acompanha o itinerário de Brizola até seu retorno do exílio, em 1979, no início do processo de abertura democrática

Em Lacerda: Coração de Tempestade, Mário Magalhães segue a trajetória do político, jornalista e escritor carioca até 1955, ano da eleição de Juscelino Kubitschek – período anterior àquele em que seu antagonismo com Brizola se tornaria central.