Eleições 2026
É desproporcional o movimento do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para “negociar” com o mercado financeiro os termos de seu programa de governo. Lula está longe de ser um desconhecido e não tem a obrigação de se apresentar a cada pleito e pedir o aval para um novo mandato. Nesse momento ele disputa um quarto – e já terminando o terceiro, vai devolver um país muito melhor do que o que encontrou no início do governo, como fez no primeiro e no segundo mandatos. As suas três gestões foram marcadas por estabilidade e previsibilidade econômica. O País cresceu e a entidade “mercado” lucrou muito com isso. Um Banco Central independente do governo e muito afinado com o capital financeiro mantém, e manteve antes, o País curvado a taxas de juro estratosféricas que aumentaram a riqueza de milionários e fizeram novos deles ao longo do tempo.
Além disso, são as instituições financeiras, não o governo de Lula, que vivem hoje uma enorme crise de credibilidade. Pelo mercado passaram todos os grandes escândalos dos últimos anos. A Polícia Federal virou habitué da Avenida Faria Lima, onde vasculhou não apenas as finanças de operadores mal-intencionados, mas conexões do sistema financeiro com o crime organizado. Neste momento, quando o governo envia emissário a agentes do mercado, não está recebendo um aval, mas emprestando a todos eles uma credibilidade que, na era pós-Daniel Vorcaro, está em absoluta queda. Lula está dando aos banqueiros e operadores uma chance de retomada do status moral de porta-vozes do capital volátil. O presidente sofre ainda o trauma de 2002, quando o PT, favorito nas pesquisas, foi obrigado a negociar concessões programáticas ao capital financeiro para estancar os ataques especulativos ao Real. A investida contra o Real, estimulada pelo então candidato do PSDB, José Serra, pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, e pelo presidente do Banco Central, Arminio Fraga, levou o Brasil ao córner – e ainda assim Serra não foi eleito.















