Levantamento do Infojobs mostra que mais da metade das empresas oferece apenas o mínimo previsto em lei ou nenhuma iniciativa voltada aos pais, cenário que especialistas associam a impactos sobre produtividade, retenção de talentos e engajamento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Divulgação — Foto: Divulgação Toda empresa acompanha indicadores como rotatividade, absenteísmo, produtividade e retenção de talentos. O que poucas ainda conseguem mensurar é quanto a falta de políticas voltadas à paternidade pode influenciar esses resultados. Em um cenário no qual os profissionais buscam melhores condições para conciliar responsabilidades pessoais e profissionais, oferecer apenas o mínimo previsto em lei pode representar um custo invisível para as organizações. Levantamento realizado pelo Infojobs mostra que 35,71% dos pais afirmam que suas empresas não oferecem qualquer iniciativa relacionada à paternidade, enquanto 16,16% dizem contar apenas com a licença prevista na legislação. Na prática, mais da metade dos entrevistados trabalha em organizações que ainda não estruturaram políticas voltadas a esse público. Para Fabio Maeda, diretor de Growth & Experience da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, a ausência dessas iniciativas vai além da discussão sobre benefícios corporativos e passa a fazer parte da estratégia de gestão das empresas. "Quando um colaborador enfrenta sozinho um momento de grande transformação na vida pessoal, os impactos acabam aparecendo também na rotina de trabalho. A questão não é apenas oferecer um benefício, mas reduzir fatores que podem comprometer o foco, permanência e desempenho. Muitas empresas acompanham diversos indicadores de gestão, mas ainda poucas conseguem enxergar o custo de não apoiar a parentalidade", afirma. O levantamento também mostra que os pais valorizam iniciativas que favoreçam a conciliação entre vida profissional e familiar. Flexibilidade de jornada aparece como o benefício mais desejado, seguido pelo trabalho remoto, auxílio-creche e apoio à saúde mental, indicando que a demanda vai muito além da licença-paternidade. Na avaliação do executivo, organizações que incorporam essa discussão à estratégia de gestão tendem a construir ambientes mais preparados para reter talentos em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo. "Hoje, os profissionais não avaliam apenas remuneração e plano de carreira. Eles também observam se a empresa compreende as diferentes fases da vida e oferece condições para atravessá-las de forma equilibrada. Quando isso acontece, o resultado costuma aparecer no engajamento, na permanência e na construção de relações mais duradouras entre empresa e colaborador", explica. A discussão ganha relevância à medida que as expectativas sobre o papel dos pais na vida familiar passam por transformações Ainda assim, muitas empresas mantêm políticas estruturadas apenas para a maternidade, sem acompanhar essa mudança de comportamento. "A paternidade mudou muito nos últimos anos, mas boa parte das políticas corporativas continua baseada em um modelo de família que já não representa a realidade. As organizações que perceberem essa transformação primeiro terão uma vantagem importante para atrair e desenvolver talentos", comenta. Para Maeda, tratar a parentalidade apenas como uma obrigação legal significa deixar de explorar um fator que influencia diretamente a experiência do colaborador. "Toda empresa busca reduzir desperdícios e aumentar eficiência. Quando o profissional encontra apoio para equilibrar responsabilidades pessoais e profissionais, ele consegue dedicar mais energia ao trabalho e construir uma relação mais consistente com a organização. Ignorar esse movimento pode sair mais caro do que investir nele", conclui.