Japonesa construiu carreira de mais de sete décadas e ficou conhecida mundialmente por instalações imersivas, abóboras e padrões de pontos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Yayoi Kusama, conhecida por suas obras com bolinhas — Foto: AFP Yayoi Kusama, uma das artistas japonesas mais reconhecidas internacionalmente, morreu aos 97 anos. Conhecida pelas obras repletas de bolinhas, abóboras e padrões que parecem se repetir infinitamente, ela construiu uma carreira de mais de sete décadas e transformou experiências pessoais, incluindo as alucinações que dizia ter desde a infância, em sua principal linguagem artística. Nascida em 1929, em Matsumoto, no Japão, Kusama começou a desenhar padrões de pontos e redes ainda criança. Segundo a própria artista, parte da inspiração surgiu de visões nas quais formas e cores pareciam tomar conta dos ambientes e até de seu corpo. Esses elementos se tornariam, décadas depois, sua assinatura. No fim dos anos 1950, mudou-se para os Estados Unidos e passou a integrar a cena artística de Nova York. Na década seguinte, ganhou projeção com pinturas, instalações e performances, além dos chamados "happenings", que frequentemente utilizavam pintura corporal e suas tradicionais bolinhas. Kusama retornou ao Japão nos anos 1970 e decidiu voluntariamente viver em uma clínica psiquiátrica em Tóquio. Mesmo internada, manteve uma rotina intensa de produção artística em um estúdio próximo e continuou trabalhando durante décadas. Entre suas obras mais famosas estão as instalações imersivas conhecidas como "Infinity Mirror Rooms", que utilizam espelhos e luzes para criar a impressão de espaços infinitos, e as esculturas de abóboras cobertas por bolinhas. A estética fez com que seu trabalho ultrapassasse o circuito tradicional da arte contemporânea e alcançasse o grande público. Além das artes visuais, Kusama trabalhou com moda, literatura, poesia e performances. Sua imagem pública, marcada pela peruca vermelha e pelas roupas estampadas com bolinhas, também se tornou facilmente reconhecível. A sociedade responsável pela obra da japonesa anunciou que ela morreu em 14 de agosto de 2026, em um hospital de Tóquio. Segundo a entidade, Kusama continuou pintando até os últimos dias de vida.