Diante da forte expansão dos cursos de medicina e de especialização, um dos grandes desafios do setor de saúde é garantir que o crescimento da oferta seja acompanhado também de qualidade, diz Julio Vieira, CEO do Hcor, hospital referência em cardiologia que faz 50 anos em 2026, conta com mais de 50 especialidades e 3.000 médicos.
"O Brasil passou por uma onda de criação de escolas, parte aprovada pelo MEC, parte entrando por força de liminar, com judicialização. Isso levou em algum momento à criação de escolas com uma qualidade inferior", diz ele.Vieira se une a outros participantes do setor ao defender um exame de proficiência semelhante ao da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). "Sou a favor, acho que algumas profissões jamais deveriam ser exercidas sem que tenha um mínimo de formação", diz.
Uma medida provisória transformou o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) em uma espécie de "OAB da Medicina", mas o uso da prova na aplicação de sanções a cursos é discutido na Justiça. O Enamed também já produz uma nota individual para cada concluinte de medicina, mas não há, por exemplo, nota de corte nacional definida.
Em entrevista ao programa C-Level, Vieira diz que é preciso pensar em uma regulação das novas escolas e defende, além da prova para os novos entrantes, uma revalidação periódica. "Como é que a gente garante que o profissional que foi formado 30 anos atrás tem realmente qualidade para atender o serviço que está prestando?"











