Juntos, grupos teriam 38 mil alunos de Medicina e quase 5,9 mil vagas anuais na área. Yduqs é dona também da Idomed, do Ibmec e da Wyden, de centros universitários. Empresas confirmaram negociações 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Salto no número de cursos de medicina eleva concorrência no setor — Foto: Divulgação/Afya Uma fusão à vista no mercado de educação brasileiro, pode criar uma gigante no ensino superior privado, com aproximadamente 38 mil alunos de Medicina e quase 5,9 mil vagas anuais nessa área. A Yduqs, dona de Estácio e Ibmec, confirmou na segunda-feira que mantém conversas com a Afya, destaque no ensino de Medicina no país, sobre uma possível fusão das duas empresas. As negociações foram antecipadas pelo colunista Lauro Jardim, do GLOBO. Na hipótese de concretização da transação, avalia Paulo Presse, coordenador de estudos de mercado da consultoria Hoper Educação, a combinação de Afya e Yduqs daria origem a um gigante: — No geral, a Yduqs aportaria escala, distribuição nacional e diversificação, enquanto a Afya contribuiria com especialização em Medicina, rentabilidade e geração de caixa. Há racional estratégico, mas a geração efetiva de valor dependeria do desenho da operação, da governança, da integração e da análise concorrencial, especialmente nos mercados locais de Medicina. A Yduqs é dona também da Idomed, de educação médica, e a Wyden, rede de centros universitários presente em várias regiões do país, como UniToledo e UniFacid. Na semana passada, executivos do grupo alemão Bertelsmann, controlador da Afya, estiveram em São Paulo para uma reunião no Bank of America sobre a possibilidade de combinação dos negócios. “A Companhia mantém, nesta data, tratativas com a Afya a respeito de uma possível combinação de negócios envolvendo as companhias”, confirmou a Yduqs em fato relevante divulgado na segunda-feira. Dona da Estácio, Yduqs está em conversas com a Afya, gigante no ensino de medicina no país, para uma possível fusão — Foto: Rebecca Maria/Agência O Globo A notícia teve efeito positivo no mercado. As ações da Yduqs dispararam, com alta de 12,83%, a R$ 8,88. No acumulado do ano, porém, o movimento é de queda, com recuo de 27,15% devido a pressões de custos e resultados financeiros menores. Uma proposta da Afya foi recebida e está sendo avaliada pela Yduqs, afirma uma fonte a par das negociações e que apontou eventuais ganhos para as duas empresas: o salto no número de novos cursos de Medicina promete maior concorrência no segmento, de forma que a Afya ganharia em escala e alcance se desse as mãos à Yduqs, e a dona da Estácio agregaria uma operação de ponta a seu portfólio de educação na área de saúde. Sem acordo vinculante A Yduqs sublinhou que as tratativas com a Afya estão em “estágio inicial, não havendo, até o presente momento, qualquer acordo, contrato ou compromisso vinculante”. Tampouco há garantia de que essas conversas resultem no fechamento de alguma operação. A empresa destacou que avalia continuamente oportunidades estratégicas “e sempre enxergou méritos estruturais” na consolidação no ensino superior como alavanca para gerar valor a seus acionistas. A Afya, listada na Nasdaq, em Nova York, também divulgou comunicado confirmando as negociações com a Yduqs “em fase inicial” e que “nenhum acordo, contrato ou compromisso vinculativo foi firmado, nem qualquer obrigação foi assumida”. A Afya atua no universo que é hoje o segmento premium para os grupos de educação que operam no ensino superior no Brasil: a Medicina. São 38 instituições no segmento, 32 delas com cursos de Medicina e 25 oferecendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde. No primeiro semestre, o lucro líquido da Afya ficou em R$ 463 milhões, um aumento de 6,8% ante os seis meses iniciais de 2025. As grandes transações têm feito parte dos avanços da Yduqs. Em 2019, a companhia fechou a compra da Adtalen Brasil, dona de Ibmec, por R$ 1,92 bilhão. Anos antes, em meados de 2016, chegou a anunciar a fusão da Estácio com a Kroton (agora Cogna) numa transação de R$ 5,5 bilhões. O negócio, no entanto, acabou barrado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no ano seguinte.
Fusão de Afya, forte em Medicina, e Yduqs, dona da Estácio, criaria gigante no setor
Juntos, grupos teriam 38 mil alunos de Medicina e quase 5,9 mil vagas anuais na área. Yduqs é dona também da Idomed, do Ibmec e da Wyden, de centros universitários. Empresas confirmaram negociações










