Firma de medicina ocupacional aposta em novo formato de clínica e time com ‘Cultura 3G’ 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sócios da BR Med na nova clínica no Centro do Rio: Vander Corteze, Davi Barcelos e Thiago Cezar (CEO) — Foto: Divulgação Dez anos depois de fundar a Beep Saúde — companhia de vacinas e exames em casa que já fatura mais de meio bilhão de reais —, Vander Corteze acha que é chegado o momento de voltar a encostar a barriga no balcão do seu primeiro negócio. O médico-empreendedor está à frente de uma estratégia que, por meio de um novo formato de clínicas, quer mais que dobrar o faturamento da empresa de saúde ocupacional BR Med, cofundada por ele e pelo colega de jaleco Davi Barcelos em 2008. O primeiro passo do plano é o investimento de R$ 10 milhões em uma nova clínica-conceito de medicina do trabalho no Centro do Rio. Aberto esta semana, no térreo do Edifício Mesbla, no Passeio, o espaço tem 1,7 mil metros quadrados, 45 consultórios e capacidade para atender mil pessoas por dia. No visual, a maior inspiração é o ambiente de lounge de aeroporto. Aeroporto A clínica é uma das 12 mantidas pela BR Med país afora — além de sete “aeroclínicas”, localizadas em aeroportos por onde passam trabalhadores da indústria offshore de óleo e gás —, e a ideia da companhia é destinar outros R$ 50 milhões à remodelação dessas unidades nos próximos anos. — A medicina do trabalho sempre foi zero sexy. Quando se pensa em uma clínica de saúde ocupacional, a imagem que vem à cabeça das pessoas é parecida com a de uma clínica do Detran, mal estruturada e com atendimentos pro forma. Nosso plano é descolar a medicina ocupacional dessa imagem de ser uma medicina de segunda categoria — explica Corteze, que segue como CEO da Beep e não está assumindo um cargo executivo na BR Med, que é comandada pelo também sócio Thiago Cezar. — A Beep está mais madura, tem um time sênior de diretores, o que me deu a oportunidade de me aproximar mais da BR Med, trazendo o chamado “founder mode” (mentalidade de fundador). A BR Med foi criada quando Corteze era recém-formado e atuava como médico dos bombeiros. A companhia se especializou em segmentos de alto grau de risco laboral, como os setores de petróleo, indústria e siderurgia. A ideia é que, em exames admissionais, demissionais e periódicos, o funcionário faça, num só lugar, todos os procedimentos mais sofisticados exigidos por suas ocupações, como audiometrias, espirometrias e eletroencefalogramas. Ou seja, que a clínica seja one-stop shop, resume o cofundador. Novas regras Segundo Corteze, a meta do novo modelo de clínicas é fazer com que o faturamento da companhia cresça de R$ 130 milhões para R$ 300 milhões até o fim de 2028, elevando a taxa de crescimento anual de 25% para mais de 40%. O plano da BR Med é acelerar o crescimento no momento em que novas regras sobre a saúde do trabalhador tendem a impulsionar esse mercado. Corteze cita a Lei nº 15.377/2026, que entrou em vigor em abril e passou a exigir ações de saúde preventiva por parte das empresas. Também entraram em vigor, este ano, as novas regras da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que impuseram a gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. — Além dessas regras, nossa visão é que a saúde ocupacional, que sempre foi um “patinho feio”, ganhe protagonismo porque está ficando claro para as empresas o seu impacto na sinistralidade dos planos de saúde, que é um grande problema para os RHs. Como são as empresas que financiam grande parte da saúde suplementar no país, a medicina do trabalho vai ganhar uma importância cada vez maior — opina o empresário. Americanas Na nova fase, a BR Med também está renovando o seu comando. Segundo Corteze, uma das grandes fontes de profissionais dessa fase é a Americanas, cuja crise após o escândalo contábil provocou o que o fundador da Beep chama de “diáspora de executivos” da chamada “Cultura 3G”. A BR Med já contratou, por exemplo, o ex-Americanas Luiz Felipe Schneider como diretor de crescimento. Corteze também tem buscado profissionais em outras empresas da Cultura 3G, como a ex-Ambev Fabiane Rosa, que está comandando o RH da empresa. — Por coincidência, a nova clínica do Centro do Rio fica no espaço de uma antiga loja da Americanas… — lembra.