Com energia disponível e parceria com o setor privado, Rio busca se tornar uma das capitais da tecnologia na América Latina 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Projeto da Rio AI City, hub de data centers planejado para a Barra da Tijuca — Foto: Divulgação O Rio de Janeiro quer se transformar na capital da tecnologia e inovação da América Latina por meio de um movimento estratégico que une infraestrutura de larga escala, disponibilidade de energia limpa e parcerias com gigantes do setor privado. A Invest.Rio, agência de promoção e atração de investimentos da Prefeitura do Rio, estima que, no futuro, apenas de 15 a 20 cidades globais que vão liderar a economia digital focam no uso intensivo de dados, tecnologias de computação, redes de conectividade e inteligência artificial (IA). São essas cidades que passarão a concentrar valor, talento e capital. “Apenas duas ou três dessas cidades estarão localizadas na América do Sul, e o trabalho prioritário é fazer do Rio uma delas”, diz Sidney Levy, presidente da Invest.Rio. O projeto Rio AI City é um dos pilares para viabilizar essa infraestrutura de processamento e viabilizar a transição econômica da cidade, diz Levy. É um hub na Barra da Tijuca criado para atrair não só data centers, mas uma cadeia de IA, nuvem, telecomunicações e cibersegurança, desenvolvido em cooperação entre prefeitura, governo federal e a Elea Data Centers. O complexo terá capacidade inicial de 1,5 GW de energia 100% renovável, com potencial de expansão para até 3,2 GW. Para Levy, a capacidade de fornecer energia limpa em escala é diferencial crucial para atrair a demanda de processamento dos empreendimentos. O anúncio do aporte de US$ 550 milhões da Elea Data Centers, em junho, foi o passo inicial. Alessandro Lombardi, presidente da Elea, projeta que o investimento total da empresa superaria US$ 10 bilhões, podendo chegar a US$ 50 bilhões quando forem somados equipamentos de informática (chips de IA e servidores) que os clientes trarão à cidade. As obras devem começar em 2027, com cronograma de sete a dez anos. Estima-se a criação de dez mil empregos diretos na construção, além do potencial multiplicador de vagas no ecossistema de startups. “O projeto é um divisor de águas para a economia do Rio. Já foram superadas as etapas mais complexas, como aquisição do terreno e garantia de fornecimento de energia”, afirma Lombardi. O Brasil tem pouco mais de 200 data centers, com potência instalada de 1 GW, mas há demanda suficiente para viabilizar projetos, entre já contratados ou em fase final de decisão, com capacidade de mais 1 GW, diz o vice-presidente da Associação Brasileira de Data centers (ABDC), Luis Tossi. O Rio, atrás de São Paulo, se consolidou como a segunda região de data centers do Brasil, com 76 MW de potência em operação, 63 MW em construção e 40 MW planejados. Outras grandes empresas já operam data centers no Rio. A Cirion Technologies tem duas unidades em São Cristóvão, expandindo a infraestrutura da região central. A Ascenty está na Pavuna, na Zona Norte, com campus voltado à área industrial operando em alta capacidade energética. O Porto Maravalley é outro polo de tecnologia e inovação criado pela prefeitura na Zona Portuária. O espaço de dez mil m2 busca unir empresas, startups, investidores e academia. A chinesa BYD anunciou investimento de R$ 300 milhões para a construção de seu primeiro Centro de Testes e Avaliação Automotiva no Brasil, no complexo do Aeroporto Internacional do Galeão. Funcionará como Plataforma de Experiência e Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). A prioridade é o desenvolvimento de inovações voltadas ao futuro da mobilidade, com destaque a tecnologias ligadas à direção autônoma. O dá vantagem ao Rio para investimentos da economia digital, dizem especialistas, é a capacidade da rede elétrica. Enquanto cidades como São Paulo operam perto da ocupação máxima, o Rio tem rede ociosa, o que permite a instalação de infraestruturas que demandam altíssimo consumo, como as de IA. Henrique Reis, fundador da Sourei, grupo com atuação em infraestrutura digital, cloud e IA, observa que empresas que decidem instalar um data center priorizam disponibilidade de energia, conectividade, segurança jurídica, prazos de licenciamento e possibilidade de expansão. Embora incentivos fiscais ajudem na atração de investimentos de alto custo e longo prazo, há outro fator na conta. “O verdadeiro diferencial é oferecer previsibilidade, uma vez que os investimentos no setor são de alto custo e longo prazo”, explica, lembrando que outro ponto fundamental para o avanço dos empreendimentos é a disponibilidade de profissionais qualificados. Os especialistas apontam que o Rio tem condições de entregar mão de obra qualificada para projetos digitais, porque possui instituições como o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), que tem unidade de tecnologia no Porto Maravalley, o Instituto Militar de Engenharia (IME), com foco no desenvolvimento tecnológico, e a Fundação Getulio Vargas (FGV), especificamente com sua escola de matemática, que tem desenvolvido projetos relevantes em IA.
Projetos no Rio apontam potencial para estimular inovação
Com energia disponível e parceria com o setor privado, Rio busca se tornar uma das capitais da tecnologia na América Latina











