Multinacional de mobilidade deve investir R$ 500 milhões e abrir 200 vagas no novo centro, reforçandoa posição do país entre os principais polos de engenharia da empresa no mundo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Tech Center da Uber no Rio de Janeiro; o espaço é base de um investimento de R$ 500 milhões na cidade. Reforma representa uma oportunidade para modernizar o ambiente de negócios — Foto: Divulgação A Uber reforça a aposta no Brasil como um de seus principais polos globais de engenharia com a inauguração de um novo centro de desenvolvimento tecnológico no Rio de Janeiro. De olho nos talentos nacionais, a empresa amplia a estrutura dedicada ao desenvolvimento de produtos e soluções no país. De acordo com a empresa de mobilidade, o novo Uber Tech Center carioca, que abriu as portas no fim de julho, é a base de um investimento de R$ 500 milhões na cidade, que deve gerar até 200 vagas de tecnologia ao longo de cinco anos. A companhia ressalta que não se trata de um escritório de suporte regional. Os profissionais contratados no Rio vão atuar em novos projetos desenvolvidos no Brasil para a plataforma global da Uber, com entregas que atendem usuários e parceiros no mundo inteiro. — A área de tecnologia, diferentemente da estrutura de negócios que se organiza geograficamente, trabalha com projetos globais. O engenheiro de software ou gerente de produto aqui, na Uber, faz exatamente o mesmo trabalho que o engenheiro que está na Califórnia, em Nova York ou na Europa — explica Marcello Azambuja, diretor de engenharia e líder do Tech Center da Uber no Brasil. Continuando o trabalho O Tech Center do Rio expande a estrutura que a Uber vem construindo no país desde 2018, quando montou seu primeiro hub de tecnologia em São Paulo. De lá para cá, a operação paulista virou uma das maiores da empresa no mundo: atualmente, reúne cerca de 700 profissionais e mais de 50 times diferentes. — O sucesso do hub de São Paulo é o que abriu caminho para o segundo endereço — pontua Azambuja. Hoje, a empresa tem três hubs de tecnologia nos Estados Unidos, um na Europa e dois na Índia, e, segundo o executivo, o Brasil é destaque. — São Paulo já é maior do que o nosso hub de tecnologia na Europa. Isso mostra nossa relevância e o sucesso que alcançamos. De acordo com o diretor, o peso global dos desenvolvedores brasileiros é respaldado pelas entregas. O time do país não apenas executa demandas vindas de fora, mas também diagnostica problemas e cria soluções que passam a rodar em todos os mercados onde a plataforma está presente. A primeira equipe montada em São Paulo, em 2018, foi a de segurança da plataforma, que trabalhava em parceria com a Califórnia. — Esse time ganhou autonomia, cresceu, ficou mais sênior. Depois vieram as áreas de identidade, meios de pagamento, o B2B da Uber e muitos outros, lançando produtos que hoje estão disponíveis mundialmente — afirma. Parte dessa relevância está conectada diretamente com o tamanho da operação no Brasil, uma das maiores da empresa, com mais de 140 milhões de usuários ao longo dos doze anos de operação” — O brasileiro leva nossa tecnologia ao limite. Muitos dos sistemas que a gente teve que aprimorar foram por demandas de volume ou de questões do mercado nacional — afirma o diretor. — Por conta disso, muitas vezes, do ponto de vista de criatividade, a gente é até mais arrojado — completa. Desafios e oportunidades Quem vive isso na prática é Taciana Malcop, gerente de engenharia de software que integra o time de core services e safety no Tech Center do Rio, para onde se mudou em maio. Sua área cuida das ferramentas de segurança que protegem tanto motoristas quanto passageiros — e é um exemplo direto de tecnologia crítica desenvolvida no país para mercados externos. — O produto Uber Conta Teens foi completamente desenvolvido aqui no Brasil, inicialmente no Tech Center de São Paulo e agora com parte da equipe no Rio. É um produto de impacto mundial, usado por adolescentes e seus adultos responsáveis em diversos países — frisa. Taciana Malcop, gerente de engenharia de software — Foto: Divulgação Para Taciana, trabalhar em uma multinacional desse porte é a chance de atuar em projetos de alcance internacional sem precisar deixar o país, o que é algo raro no mercado brasileiro. Antes da Uber, ela passou por startup, universidade, consultoria e empresas de produto, mas nunca por uma companhia verdadeiramente global. — Abriu a minha cabeça. Tive que desenvolver comunicação, pragmatismo, objetividade na hora de apresentar resultado. A gente, como engenheiro, brilha os olhos para os processos de engenharia que tem aqui. A cultura de fazer as coisas com qualidade e excelência é muito forte — afirma. Hoje, ela colabora diariamente com colegas em São Francisco, Índia e Amsterdã. Portas abertas Recém-inaugurado, o Uber Tech Center do Rio já está em operação e com vagas abertas para engenheiros de software, cientistas de dados, arquitetos de sistemas e gerentes de produto, em diferentes níveis de senioridade. A expectativa de Azambuja é que o novo centro repita e amplie a trajetória de São Paulo, trabalhando em forte colaboração com equipes globais e ajudando a amadurecer o mercado de tecnologia brasileiro como um todo. — Ter a Uber fazendo essa expansão aqui é super benéfico para os dois lados. A gente está amadurecendo o mercado, qualificando ainda mais os profissionais e mostrando que dá para trabalhar em sistemas globais sem sair do Brasil — finaliza o executivo.