Modelo permite produzir etanol o ano todo. No país, 12 unidades respondem por cerca de 6% da oferta 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Colheita de cana-de-açúcar: Usinas que combinam o uso de cana e milho na produção de etanol são estimuladas — Foto: Divulgação/CerradinhoBio Otimização industrial, redução de custos e vantagens ambientais também são preocupações de produtores rurais no Brasil, que têm estimulado investimentos em usinas que combinam o uso de cana-de-açúcar e milho na produção de etanol. Como o grão pode ser estocado, o modelo possibilita produzir o ano todo, e não apenas nas safras, como ocorre com a cana. O mercado avalia que a prática, além de reduzir a ociosidade dos equipamentos, pode estabilizar a oferta do combustível ao longo do ano. “Trata-se de um avanço que fortalece o abastecimento continuado do mercado nacional e apoia a segurança energética do Brasil”, afirma a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica). A entidade estima que as 12 usinas flex em atividade — dez no centro-sul e duas no Nordeste — já respondem por até 6% do etanol do país. No ciclo 2025/26, entre 1,8 bilhão e 2,2 bilhões de litros do combustível saíram dessas usinas. Unidade de Quirinópolis da CerradinhoBio — Foto: Ricardo Teles/Divulgação/CerradinhoBio Insumos complementares Para Marcos Fava Neves e Vinícius Cambaúva, sócios da consultoria Markestrat Group, a tecnologia estabelece um modelo de complementaridade que fortalece a segurança energética, a sustentabilidade e a competitividade no cenário de descarbonização global, estimulada pela ascensão acelerada do etanol de milho. “O Brasil vivencia uma transformação estrutural na sua matriz energética e agrícola”, afirmam em relatório. “O Brasil vivencia uma transformação estrutural na sua matriz energética e agrícola”, diz Marcos Fava Neves — Foto: Divulgação A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) diz que o combustível a partir do milho representa quase a metade do crescimento esperado na produção de etanol até 2035: entre 45 bilhões e 58 bilhões. — O modelo flex reúne importantes vantagens operacionais, econômicas e ambientais. A principal delas é a possibilidade de maximizar a utilização dos ativos industriais ao longo do ano, aproveitando a complementaridade entre as safras de cana e milho — diz Ronaldo Bezerra, diretor-geral da Cargill Bioenergia, que tem operação integrada às duas culturas em Quirinópolis (GO). Unidade da Cargill Bioenergia em Quirinópolis (GO) — Foto: Divulgação/Cargill Bioenergia Investimentos futuros Na visão de Bezerra, o uso do milho na entressafra da cana amplia o período operacional da indústria e aumenta a eficiência dos investimentos, melhorando a produtividade ao agregar ao sistema a produção de óleo de milho e de DDGs, subprodutos destinados à nutrição animal. Já o bagaço reduz a necessidade de recorrer a fontes externas para a cogeração de energia. Na CerradinhoBio, que tem planas em Goiás e Mato Grosso do Sul, a decisão de investir em plantas anexas de cana e milho, com uso compartilhado de insumos, passa pela diversificação de matéria-prima e aproveitamento de sinergias, diz Galvão Oliveira, diretor administrativo e financeiro. Essa opção minimiza investimentos e traz ganhos de escala, afirma. A empresa tem capacidade para processar 6,1 milhões de toneladas de cana e 1,85 milhão de toneladas de milho. Outra vantagem da integração é que, com melhor aproveitamento da biomassa da cana para gerar energia, a operação conjunta colabora na redução das emissões. Segundo a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Nilza Patrícia Ramos a pegada de carbono dfas usinas flex, quando a produção ocorre sem mudanças no uso do solo, tem variado de 17 gramas a 30 gramas de carbono equivalente por megajoule de biocombustível produzido, contra 87 gramas no caso da gasolina C (sem mistura). Nilza Patrícia Ramos, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente — Foto: Divulgação/Embrapa — Mesmo os piores empreendimentos, se tiverem um bom sistema produtivo, já vão evitar muita emissão — diz. A Atvos pretende transformar a Unidade Santa Luzia, em Nova Alvorada do Sul (MS), em seu primeiro complexo de transição energética, integrando cana e milho na produção de etanol e bioeletricidade e uma planta de biometano a partir de torta de filtro e vinhaça. A produção de etanol de milho deve em 2028, com capacidade para 273 milhões de litros. A de biometano, prevista em 28 milhões de m3/ano, deverá começar em 2027.