Capacidade de armazenagem cobre só 62,9% do total, e déficit deve atingir 133,6 milhões de toneladas neste ciclo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lavoura de milho próxima a silos de armazenagem no interior da Bahia — Foto: Dado Galdieri/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/07/2026 - 01:26 Desafio Logístico: Déficit de Armazenagem de Grãos no Brasil Atinge Recorde O setor agropecuário brasileiro enfrenta um desafio logístico com a produção recorde de grãos, que deve atingir 360,1 milhões de toneladas, mas a capacidade de armazenagem cobre apenas 62,9% desse volume. O déficit de 133,6 milhões de toneladas é o maior já registrado, e a falta de infraestrutura adequada impacta negativamente os produtores, gerando perdas financeiras significativas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A capacidade dos armazéns brasileiros não acompanhou o forte crescimento da produção de grãos e deverá ficar 133,6 milhões de toneladas abaixo da safra neste ano, a maior diferença já registrada. Enquanto o país deve colher um recorde de 360,1 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, há espaço para guardar 226,5 milhões, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Com isso, a estrutura disponível equivale a 62,9% do volume produzido. Há duas décadas, a diferença era de apenas 7,2 milhões de toneladas. O descompasso se aprofundou nos últimos anos: desde 2021, a produção cresceu 6,46% ao ano, mais que o dobro da expansão anual de 2,43% da capacidade de estocagem. — O produtor fica sem uma alternativa para armazenar os seus grãos e disponibilizar essa safra num momento mais oportuno. Então, ele tem que concentrar tudo na colheita — explica Elisangela Pereira Lopes, assessora de Logística e Infraestrutura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A Conab diz que a necessidade de armazenagem é menor, já que a safra é escoada em diferentes momentos. Soja e milho, que são 89,5% da produção, têm calendários distintos, o que permite o uso sucessivo das instalações. “Além disso, o mercado brasileiro apresenta intenso fluxo de comercialização e escoamento para processamento, consumo interno e exportação, reduzindo a necessidade de armazenamento simultâneo de toda a produção”, afirma a estatal. Segundo Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, a expansão da agricultura no Cerrado e no Matopiba sem um crescimento equivalente da infraestrutura está entre as principais causas do gargalo. Outra dificuldade é a escassez de silos nas fazendas, o que aumenta a dependência de estruturas de terceiros. Apenas 16,6% da capacidade brasileira de armazenagem está instalada dentro das propriedades rurais, segundo a CNA. Entre as alternativas, estão silos de cooperativas e condomínios: — O déficit de armazenagem no Brasil não é novidade. Ele vem se acumulando há pelo menos 15 anos. O que estamos vendo agora é o resultado de um descompasso estrutural que nunca foi enfrentado. A carência de espaço leva à estocagem a céu aberto, prática mais comum com o milho, menos sensível do que a soja. — É muito comum você ver montanhas de milho. Ele fica aguardando a céu aberto, à mercê das condições climáticas e também de insetos, o que pode aumentar a umidade e diminuir a qualidade do próprio grão — afirma Elisangela. Receita menor A Cogo estima que essa comercialização em momentos desfavoráveis custou aos produtores R$ 109,8 bilhões entre 2023 e 2026, sendo R$ 71,7 bilhões na soja e R$ 38,1 bilhões no milho. O cálculo considera a receita que deixa de ser obtida quando os grãos precisam ser vendidos antes de uma melhora do mercado. Em Sorriso (MT), a saca de soja valia R$ 103 em março de 2024 e chegou a R$ 132 em outubro. O Plano Safra 2025/26 reservou R$ 8,2 bilhões ao Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA). Segundo a Cogo, só 39% chegaram aos produtores. — Não faltou recurso público, faltou condição financeira — diz Cogo.