O grupo The Cramps fez seu último show há 20 anos e encerrou de vez as atividades em 2009, com a morte do vocalista Lux Interior. Por mais de três décadas, Lux e a companheira, a guitarrista Poison Ivy, fizeram alguns dos discos e shows mais alucinantes do rock alternativo e ajudaram a criar um subgênero do rock conhecido por psychobilly, que unia o ritmo primal do rockabilly dos anos 1950 de alucinados como Jerry Lee Lewis, Chuck Berry e Little Richard, ao punk e à psicodelia.

Os Cramps despontaram na cena de punk rock de Nova York de meados dos anos 1970, que gravitava em torno do clube CBGB's e contava com bandas como Ramones, Blondie e Talking Heads. Nunca fizeram sucesso comercial, mas tinham um fã-clube obsessivo e caloroso, que sofreu com a morte de Lux e com o fim da banda. Há alguns anos, a série "Wandinha", da Netflix, apresentou os Cramps para a geração Z ao usar a música "Goo Goo Muck" numa cena marcante interpretada em que a protagonista Jenna Ortega dança o hit. Mas, fora a cena de "Wandinha", os Cramps permaneceram enterrados na memória dos fanáticos.

Um desses obcecados pelos sons alucinantes da banda é Henry Rollins, ex-vocalista de grupos históricos do punk como Black Flag e Rollins Band. Rollins viu os Cramps ao vivo pela primeira vez em 1979 e ficou maluco com o grupo, que à época contava, além de Lux nos vocais e Poison Ivy na guitarra, com o baterista Nick Knox e outro guitarrista, Bryan Gregory. Nos últimos anos, Rollins tem se dedicado a lançar discos e organizar arquivos sobre a história do rock alternativo e recebeu uma dica de que existiriam fitas de um disco inédito dos Cramps perdidas num estúdio em Nashville, estado do Tennessee, nos Estados Unidos.