No laboratório de gênios que era o Bell Labs nos anos 1950, Claude Shannon, considerado o pai da teoria da informação, construiu uma máquina capaz de antecipar escolhas. A tarefa do equipamento era simples: uma pessoa escolheria uma de duas alavancas, esquerda ou direita, e a máquina tentaria prever qual delas seria acionada. Shannon se inspirou em um colega, cuja máquina tinha uma taxa de acerto modesta, mas consistente, de 53%. A versão de Shannon era mais simples e ainda melhor: acertava 65% das vezes.

A história contada no livro Como prever o imprevisível, de William Poundstone, publicado em 2014, diz que ninguém conseguiu superar a máquina em uma sequência prolongada de tentativas, com uma exceção: o próprio Shannon. Como o algoritmo da máquina era simples e elegante, ele conseguia simulá-lo mentalmente e fazer o oposto daquilo que sabia que a máquina iria prever.

Como as máquinas funcionavam? A lógica era simples: ambas registravam como o adversário se comportava. Por exemplo, se você tivesse vencido algumas vezes seguidas, costumava aproveitar a sorte e manter a mesma escolha ou tendia a mudar? A premissa era que nenhum ser humano joga de maneira aleatória. Todos temos determinados hábitos ou instintos. Não era necessário nenhum supercomputador: a máquina de Shannon tinha apenas 16 bits de memória. Nós, humanos, não somos difíceis de decifrar.