Segundo a Ofast, 84,3 toneladas de cocaína foram apreendidas na França em 2025 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Decisão ocorre depois que o governo canadense descriminalizou o porte de pequenas quantidades de cocaína, heroína e outras drogas pesadas — Foto: Freepik Um documento interno do Escritório de Antinarcóticos da França (Ofast) mostra que, em três anos, 1.200 "mulas" do tráfico que tinham como ponto de partida o Brasil foram presas ao entrar no país europeu com drogas. O Ofast expressa preocupação com a extensão do fenômeno, segundo veículos de imprensa francesa, que tiveram acesso ao relatório do órgão ao longo da última semana. O documento revela que um único voo comercial chega a transportar 30 "mulas" entre os passageiros. A aposta das organizações criminosas é que ao menos uma delas escape da fiscalização. A principal droga transportada pelos brasileiros é a cocaína, que, juntamente com a maconha tailandesa, inunda o país e cria desafios às autoridades locais, segundo a rádio RTL. Segundo a Ofast, 84,3 toneladas de cocaína foram apreendidas na França em 2025. Desse total, 59,5 toneladas entraram no país por via marítima. Segundo a Rádio França Internacional (RFI), o documento descreve o perfil do brasileiro que se torna uma "mula" do tráfico. Em geral, tratam-se de mulheres, sem antecedentes criminais, em situação de vulnerabilidade econômica. As idades variam entre 25 e 40 anos. As "mulas" costumam ser aliciadas por meio de aplicativos de mensagens. As passagens são compradas pouco antes da viagem e, muitas vezes, pagas com dinheiro vivo. Em geral, a cocaína é transportada no corpo ou na bagagem. As brasileiras recebem valores que podem variar entre € 1,5 mil e € 10 mil, montantes que, convertidos, ficam entre R$ 9 mil e R$ 60 mil. O documento da Ofast mostra também estratégias usadas pelos traficantes para driblar a fiscalização em aeroportos. Segundo a RFI, algumas das mulas recebem menores quantidades de drogas ao mesmo tempo em que são deixadas mais expostas às autoridades. Ao serem detidas, tornam-se foco da fiscalização, permitindo que "mulas" com mais droga passem despercebidas.