Palestra abordou deficiência de ferro, saúde vaginal, planejamento familiar e contracepção, destacando a importância de ampliar o acesso à informação e às escolhas em saúde 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Divulgação — Foto: Divulgação Os desafios da saúde pública relacionados à saúde feminina vão muito além do diagnóstico e tratamento de doenças. Questões como deficiência de ferro, infecções vaginais, planejamento familiar, contracepção e acompanhamento nutricional fazem parte de uma jornada contínua de cuidado e exigem uma abordagem individualizada. Esses foram alguns dos temas discutidos pelo Dr. Renato Oliveira, durante o 31º Congresso SOGESP 2026, em palestra intitulada "Um olhar sobre os desafios de saúde pública e a saúde feminina". Ao longo da apresentação, o médico destacou inicialmente a importância de reconhecer e tratar precocemente a deficiência de ferro, especialmente em mulheres submetidas a procedimentos cirúrgicos ou que apresentam condições que favorecem perdas sanguíneas. Segundo o especialista, processos inflamatórios também podem interferir na absorção do mineral. Em situações de inflamação, há aumento da produção de hepcidina, hormônio envolvido na regulação do metabolismo do ferro, o que pode reduzir sua disponibilidade para o organismo mesmo quando existe necessidade aumentada do nutriente. A palestra também abordou os desafios relacionados à adesão ao tratamento da deficiência de ferro. Efeitos gastrointestinais associados a algumas formas de suplementação, como náuseas, constipação e desconforto digestivo, podem dificultar a continuidade do tratamento. Nesse contexto, o médico apresentou diferentes estratégias terapêuticas e destacou a importância de avaliar individualmente a resposta de cada paciente, incluindo a necessidade de reavaliação após o início da suplementação. Outro ponto discutido foi o cuidado nutricional durante diferentes fases da vida da mulher. O Dr. Renato chamou atenção para grupos que podem apresentar maior vulnerabilidade a deficiências nutricionais, como gestantes, adolescentes, atletas, pessoas que passaram por cirurgia bariátrica e indivíduos com dietas restritivas. No caso das gestantes, a apresentação abordou ainda o papel de nutrientes como ácido fólico, vitamina B12 e ômega-3 no acompanhamento pré-natal. Na sequência, a saúde vaginal foi outro eixo da palestra. O médico discutiu a vaginose bacteriana, condição relacionada ao desequilíbrio da microbiota vaginal e à proliferação de determinados microrganismos. Entre os fatores que podem contribuir para esse desequilíbrio estão alterações da microbiota, atividade sexual e determinados hábitos e produtos utilizados na região íntima. O tratamento adequado, segundo o conteúdo apresentado, deve ser associado à orientação sobre hábitos e ao acompanhamento médico, especialmente diante de quadros recorrentes. A discussão avançou ainda para o planejamento familiar e a contracepção. Para o Dr. Renato, o conceito de planejamento familiar não deve ser reduzido à escolha de um método contraceptivo, mas compreendido como parte dos direitos sexuais e reprodutivos, envolvendo a possibilidade de decidir se, quando e quantos filhos ter. A palestra também destacou a evolução desse conceito no campo da saúde pública e a importância de garantir informação e acesso para que as mulheres possam tomar decisões de forma consciente. Nesse contexto, o médico ressaltou o papel do Sistema Único de Saúde (SUS) na oferta de recursos relacionados ao planejamento familiar, apesar dos desafios existentes na rede pública. A discussão também abordou a necessidade de considerar as características individuais de cada paciente na escolha do método contraceptivo, incluindo preferências, necessidades clínicas e qualidade de vida. A palestra também trouxe reflexões sobre a contracepção hormonal e a relação entre escolha do método, controle do ciclo menstrual e autonomia feminina. O Dr. Renato destacou que a decisão sobre menstruar ou não durante o uso de determinados métodos não deve ser tratada apenas como uma questão de "normalidade", mas como uma escolha que precisa considerar as preferências e necessidades de cada mulher. Ao abordar especificamente o planejamento reprodutivo, o médico também resgatou a história do contraceptivo injetável mensal desenvolvido no Brasil, destacando sua trajetória e sua incorporação às opções disponíveis no sistema de saúde. O conteúdo apresentado ressaltou ainda a importância de considerar métodos que contenham estrogênio quando clinicamente indicados, sempre respeitando as características e contraindicações de cada paciente. Para o Dr. Renato Oliveira, discutir saúde feminina sob a perspectiva da saúde pública significa compreender que o cuidado não se limita ao tratamento de uma condição específica, mas envolve informação, prevenção, acesso e autonomia. A atuação dos profissionais de saúde, nesse cenário, passa também por oferecer às mulheres conhecimento e alternativas para que possam participar ativamente das decisões relacionadas ao próprio corpo e à própria saúde. A participação da Carnot no Congresso SOGESP reforça o compromisso da empresa com a aproximação da comunidade médica e com a discussão de temas relevantes para a saúde feminina. Ao levar ao evento debates que conectam ciência, prática clínica e saúde pública, a companhia amplia sua contribuição para a atualização dos profissionais e para a disseminação de informações qualificadas sobre o cuidado integral da mulher.