Nas discussões, a Medida Provisória que coloca fim à "taxa das blusinhas" é vista como um tema urgente pelo Palácio do Planalto 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 De olho em avançar bandeiras eleitorais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta quarta-feira (26) com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tratar de pautas legislativas que estão travadas no Congresso. Dentre os pontos da discussão no encontro, estão o fim da escala 6x1, a "taxa das blusinhas", a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e o Marco Legal dos Minerais Críticos. O encontro acontece no Palácio da Alvorada, residência oficial da presidência da República, no início desta tarde. Motta e Alcolumbre chegaram juntos no comboio da Presidência do Senado por volta das 13h20. Nas discussões a serem feitas entre os presidentes dos Poderes, a Medida Provisória (MP) que coloca fim à "taxa das blusinhas" é vista como um tema urgente pelo Palácio do Planalto. Isso porque ela precisa ser aprovada pelo Congresso até 8 de setembro para não perder a validade. A taxa atualmente não está em vigor, pois foi suspensa com a MP editada em maio. No entanto, caso a proposta não seja aprovada na Comissão Mista e no Plenário nas duas Casas do Congresso até o prazo, será retomada a cobrança de 20% sobre compras internacionais. A criação da “taxa das blusinhas” foi uma das medidas mais impopulares do governo Lula, aprovada pelo Congresso em 2024. Desde a sua implementação, a iniciativa expôs um desalinhamento entre a equipe econômica e a área de comunicação do Planalto. Em relação à PEC da Segurança, o senador Rogério Carvalho (PT-SE), disse que apresentará relatório sem alterar o texto aprovado pela Câmara, para agilizar a tramitação da matéria e, segundo ele, para que as mudanças comecem a “valer o quanto antes para a população brasileira”. Já sobre o fim da escala 6x1, o relator Omar Aziz (PSD-AM) pretende entregar o seu parecer ainda esta semana para que a votação, na CCJ do Senado, possa ocorrer na quarta-feira (2). A expectativa é que ele também não realize mudanças no conteúdo do texto, para evitar que a PEC retorne para a análise dos deputados, o que adiaria ainda mais a promulgação da PEC. Na terça-feira, o presidente da CCJ, o governista Otto Alencar (PSD-BA), afirmou, nas redes sociais, que aguarda a publicação do relatório de Aziz para levar a matéria à votação no colegiado já na próxima semana. A expectativa é que os bolsonaristas apresentam requerimentos para a realização de audiências públicas para debater o fim da 6x1, além de utilizar outros instrumentos para tentar postergar a deliberação. Se não for votada até o fim da próxima semana, a apreciação do texto pelo Senado deve ficar para depois das eleições, porque não deve ter novas sessões legislativas até o fim das disputas eleitorais. A menos de 40 dias do primeiro turno, a avaliação no governo é de que, sem a aprovação dessas medidas antes da eleição, Lula perde a oportunidade de apresentar resultados concretos em áreas estratégicas e de colher ainda durante a campanha os impactos políticos dessas iniciativas. Por conta disso, o chefe do Executivo tentou se aproximar do presidente do Senado nas últimas semanas e ambos se reuniram para alinhar os interesses dos Poderes. Após isso, no domingo (23), em entrevista à Record, Lula se referiu ao amapaense como “amigo” e demonstrou otimismo em destravar pautas de interesse do governo no Congresso. — Foto: Adriano Machado/Reuters