MP ainda precisa ser votada numa comissão mista, formada por deputados e senadores, antes de seguir à deliberação no plenário da Câmara e do Senado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula assina MP que acaba com 'taxa das blusinhas' — Foto: Wallison Breno/Divulgação/PR O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou diretamente nas negociações políticas e pressionou a cúpula do Congresso Nacional para garantir a aprovação da medida provisória (MP) que acaba com a chamada taxa das blusinhas, a cobrança de 20% sobre compras internacionais. Tema que dividiu o governo federal e gerou desgaste ao Palácio do Planalto, a medida provisória tem de ser votada por deputados e senadores até o próximo dia 8 de setembro, sob risco de perder a validade. Porém, a falta de acordo em torno com os parlamentares em torno do tema preocupa o governo. A possibilidade de a medida caducar acendeu um sinal de alerta no entorno do petista. A avaliação é que a volta da cobrança a menos de um mês do primeiro turno poderá ter impactos diretos na eleição, diante do fato de que será um pleito acirrado. Diante desse cenário, o próprio petista fez coro aos apelos da articulação política do seu governo junto à cúpula do Congresso e, num vídeo divulgado na terça-feira, citou nominalmente os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), numa forma de pressioná-los a dar andamento ao tema. Mais cedo na terça-feira, o presidente se reuniu com ministros de seu governo numa reunião no Palácio da Alvorada que teve, entre os temas discutidos, a votação da MP das blusinhas. De acordo com relatos de um participante, houve um pedido de Lula para que a articulação política do governo seja reforçada e atuante no diálogo junto aos líderes das duas Casas para aprovar a matéria. A MP precisa ser votada numa comissão mista (formada por deputados e senadores) antes de seguir à deliberação no plenário da Câmara e do Senado. O colegiado, no entanto, sequer foi instalado. Havia a previsão que isso tivesse ocorrido na semana passada, quando ocorreram sessões nas duas Casas, mas não houve acordo entre os parlamentares para quem ocupará os cargos de destaque: presidência e relatoria da comissão. A expectativa, agora, é que isso ocorra no próximo dia 1º de setembro, a uma semana dela perder a validade. O entorno de Lula reconhece que há dificuldades para que a medida avance, diante da pressão dos setores produtivos e num momento de crise de varejistas como Casas Bahia e Marabraz. Como O GLOBO mostrou, empresários do setor se reuniram com Alcolumbre antes do início do recesso parlamentar para se queixar da MP. Além disso, oposicionistas falam em deixar a matéria caducar para desgastar Lula no processo eleitoral. Se a MP não for votada, a cobrança voltaria imediatamente. Diante disso, a articulação política de Lula fala que essa é a prioridade número 1 e trabalha para que a instalação da comissão mista e a votação da MP ocorra no próximo “esforço concentrado” do Congresso — com sessões de votações previstas de 30 de agosto a 3 de setembro. Deputados e senadores falam que a medida é eleitoreira, mas reconhecem que, se for pautada, será dificilmente rejeitada, diante da popularidade do fim dessa taxação. Eles dizem que nenhum parlamentar que buscará a reeleição estará disposto a gerar esse ruído com eleitores. O que diz Lula no vídeo No vídeo, Lula diz que está “muito otimista” com a aprovação da MP e cita nominalmente os dois parlamentares, num momento de aproximação com os dois chefes do Legislativo, que tem como pano de fundo interesses eleitorais e o desejo de Alcolumbre e Motta em ter apoio de Lula e do PT para recondução no comando das duas Casas. Depois de quase três meses sem se falarem, Lula e Alcolumbre se reuniram ao menos três vezes desde o começo de agosto e participaram de agenda juntos no Amapá, reduto do senador. Motta, por sua vez, aproximou-se do petista no vácuo deixado por Alcolumbre e de olho no apoio do presidente para eleição de seu grupo político na Paraíba. Mais recentemente, declarou apoio à reeleição do petista. — Eu estou convencido de que o presidente do Senado, Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, vão votar, e a gente vai aprovar o fim da taxação das blusinhas— disse Lula no vídeo divulgado na noite de terça-feira. Em outro momento no vídeo, o petista aproveitou para reforçar a bandeira de sua gestão da defesa da justiça tributária e voltou a falar que tem certeza que terá apoio dos presidentes das duas Casas para viabilizar a medida. — A classe média alta viaja para fora, ela pode gastar US$ 2 mil e não paga imposto. Por que uma pessoa da periferia, uma mulher, uma jovem, um menino, compra um negócio de US$ 50 e querem taxar? É apenas uma questão de justiça, e eu tenho certeza que, se tratando de justiça, o Senado e a Câmara vão votar para que o povo brasileiro possa comprar as coisas que eles precisam sem ninguém perturbá-los — afirmou o presidente.
Taxa das blusinhas: Lula intensifica negociações, pressiona Motta e Alcolumbre, mas falta de acordo acende alerta no governo
MP ainda precisa ser votada numa comissão mista, formada por deputados e senadores, antes de seguir à deliberação no plenário da Câmara e do Senado







