Oficialmente encontro será para destravar proposta que acaba com a taxa das blusinhas, mas outros assuntos serão debatidos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Hugo Motta usa boné vermelho da campanha de Lula; Davi Alcolumbre em visita a campo da Petrobras no Amapá — Foto: Reprodução e Ricardo Stuckert O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir nesta quarta-feira com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), num momento de busca de maior aproximação com os parlamentares para garantir a aprovação das propostas de interesse do Palácio do Planalto às vésperas das eleições. Pelo cronograma determinado pelo comando do Congresso, a próxima semana será a última com sessões de votação antes do primeiro turno, o que justifica o empenho da articulação política do petista para correr com a aprovação dessas propostas. De acordo com relatos, está previsto que as autoridades almocem nesta quarta, acompanhadas do ministro José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais), responsável pela articulação entre Executivo e Legislativo. Guimarães afirmou em entrevista nesta terça que o almoço entre as autoridades será para “afinar melhor, cada vez mais, a viola” no diálogo entre o governo e o Congresso. Oficialmente, o encontro servirá para destravar as negociações em torno da medida provisória (MP) que acaba com a chamada “taxa das blusinhas”, a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 (cerca de R$ 250). Apesar disso, aliados do presidente reconhecem que outros temas deverão estar à mesa: desde a aprovação de outras matérias de interesse do Planalto, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da jornada 6x1, até apoios eleitorais. Os dois chefes do Legislativo são apontados nos bastidores como figuras que trabalharam para que seus partidos ficassem neutros na disputa presidencial, numa vitória para a campanha de Lula. Lula e Alcolumbre ficaram afastados mais de três meses, sem dialogar, após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga ao Supremo Tribunal Federal. As duas autoridades retomaram o contato no começo de agosto, tendo como pano de fundo a votação dessa agenda de interesse de Lula no Congresso, apoios eleitorais no estado e a nível nacional e também a disputa pela recondução de Alcolumbre na presidência do Senado, em 2027. Neste mês, participou de agenda com o presidente no Amapá, seu reduto eleitoral, após a Petrobras anunciar que tinha encontrado petróleo na Foz do Amazonas, posou para fotos com o petista e o agradeceu em discurso. Motta, por sua vez, aproveitou o vácuo deixado pela falta de contato entre Lula e Alcolumbre e se aproximou do petista, depois de uma relação marcada por altos e baixos. O interesse de Motta é, além de ter apoio do PT e do governo à sua recondução na chefia da Câmara, conseguir eleger o pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), a uma vaga ao Senado neste ano. No dia 10, declarou apoio publicamente à reeleição de Lula. Na última sexta-feira, participou de ato de lançamento do comitê de sua campanha em Patos, na Paraíba, usando um boné vermelho com o nome do presidente. Ele também compartilhou fotografia nas redes sociais na qual Lula aparece beijando a sua testa. Além de ter como pano de fundo as eleições e o trâmite das pautas prioritárias no Congresso, essa aproximação das autoridades ocorre ainda num momento em que avançam investigações no Supremo Tribunal Federal que miram a atuação de alguns parlamentares e aliados e em que a campanha de Lula se vê acuada com a divulgação de investigações que citam o entorno do petista, como Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, seu filho, e seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. O encontro desta quarta foi anunciado por Lula durante uma entrevista, no domingo, na qual o petista sinalizou que havia acordo com Alcolumbre para aprovar a MP do fim da taxa das blusinhas. Ele afirmou que estaria com o presidente do Senado, a quem chamou de “amigo”, para anunciar o fim da taxa das blusinhas. — Estive com o meu amigo (Davi) Alcolumbre, quarta-feira tem uma reunião com ele, e nós vamos anunciar o fim da taxa das blusinhas, para o bem das pessoas que gostam de comprar coisinha pouca por 50 dólares— afirmou Lula em entrevista à Record TV. A cobrança da taxa das blusinhas dividiu o governo federal e gerou desgaste ao Palácio do Planalto, que foi obrigado a acabar com a taxa após perceber danos eleitorais à imagem de Lula. Agora, a MP tem de ser votada pelos parlamentares até o próximo dia 8 de setembro, sob risco de perder a validade — e a cobrança voltar a vigorar. Para isso, é preciso instalar a comissão mista (formada por deputados e senadores) para discutir a MP, antes de ela ser votada nos plenários das duas Casas. No último dia 12, o Congresso adiou a instalação da comissão mista por falta de acordo entre as lideranças sobre quem ocupará os postos-chave do colegiado. Na comissão, a relatoria será indicada pelo Senado e a presidência, pela Câmara. Para o Planalto é importante que esses espaços sejam ocupados por nomes alinhados ao governo federal, para evitar mudanças ao texto ou até mesmo que ele seja rejeitado. Integrantes da articulação política de Lula dizem temer o prazo apertado e falam que oposicionistas atuarão para impor uma derrota política a Lula às vésperas do primeiro turno. Por isso é importante a atuação do petista diretamente com os dois presidentes do Congresso para alinhar esse processo, diz um aliado de Lula. Nas últimas semanas, o próprio presidente da República passou a articular junto à cúpula do Congresso para destravar as votações de interesse, de olho nos ganhos eleitorais. A avaliação é que essas medidas têm alcance popular e aproximam Lula de segmentos que não necessariamente estão alinhados com o petista, diante da percepção que será uma eleição acirrada, é preciso buscar ampliar a busca por esse eleitorado.