Encontro ocorre nesta quinta; Planalto tenta aproveitar reaproximação para destravar propostas antes do esvaziamento do Congresso 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula e Alcolumbre conversam durante evento no Planalto — Foto: Cristiano Mariz / O Globo O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), voltarão a se reunir nesta quinta-feira, um dia depois de conversarem sobre a agenda de interesse do governo no Congresso. O novo encontro, desta vez a sós, ocorre em meio à tentativa do Palácio do Planalto de destravar pautas que Lula quer ver aprovadas antes das eleições, como o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança Pública. A reunião foi confirmada pelo líder do Senado, Camilo Santana (PT-CE) Segundo ele, a relação entre os dois está "distensionada". — Vai se reunir hoje. Está bem, está distensionado, tiveram reunião essa semana, a semana passada. Eu tenho conversado muito também com o presidente Alcolumbre — afirmou Camilo. Lula e Alcolumbre passaram cerca de três meses sem conversar após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A reaproximação começou na semana passada, em uma reunião organizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, com a participação de Cristiano Zanin. Nesta quarta-feira, Lula recebeu Alcolumbre no Palácio da Alvorada para tratar diretamente da agenda legislativa. Na saída, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o "diálogo foi retomado" e que as relações estavam reconstruídas. O encontro, porém, terminou sem um calendário definido para a votação da PEC que acaba com a escala 6x1. O texto já foi aprovado pela Câmara e aguarda análise do Senado. A proposta ganhou peso na estratégia eleitoral de Lula, e governistas pressionam para que seja votada antes das eleições. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), ficou responsável, ao lado de Alcolumbre, por conversar com os senadores sobre o andamento da matéria. Além da 6x1, o governo tenta avançar com a PEC da Segurança Pública e com a agenda relacionada a terras raras e minerais críticos. Camilo afirmou que a orientação é viabilizar as prioridades antes das eleições. — Acredito que a gente vai colocar três projetos que são prioritários para o governo: um é o fim da escala 6x1, o outro é a PEC da Segurança Pública (...) e o outro é o projeto que trata das terras raras, dos minerais críticos. Então a gente quer que pelo menos essas três pautas possam ser viabilizadas o mais rápido possível — disse. Questionado se a intenção era avançar antes das eleições, respondeu: — Antes das eleições, essa é a orientação. A pressa do Planalto está ligada ao calendário eleitoral. Com o início oficial da campanha no domingo, a tendência é de esvaziamento do Congresso. Depois desta semana, deputados e senadores têm um novo período de esforço concentrado previsto entre 31 de agosto e 3 de setembro. A PEC da 6x1 é considerada especialmente importante por ter se tornado uma das bandeiras eleitorais de Lula. Nesta semana, o presidente afirmou nas redes sociais que os trabalhadores "não podem mais esperar" pela mudança. O governo trabalha com a possibilidade de votação antes do primeiro turno, embora ainda não haja uma data definida.