As medidas tomadas pelos Estados Unidos contra a economia brasileira, após uma investigação sobre supostas condutas anticompetitivas, podem ser interpretadas, no caso das alegações sobre o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, no contexto de uma disputa mais ampla pela hegemonia sobre moedas, sistemas e fluxos de pagamento.
Essa disputa ocorre tanto nos mercados domésticos, nos quais as empresas norte-americanas têm perdido espaço, quanto no campo internacional, no qual o domínio do dólar tem sido cada vez mais contestado. A acusação é de que o Pix distorce o livre mercado e discrimina prestadores privados estrangeiros.
Empresas dos EUA, que ainda oferecem serviços de pagamentos caros e ineficientes, e grandes empresas de tecnologia, frequentemente associadas a práticas desleais de concorrência, apresentem-se agora como prejudicadas por supostas medidas anticompetitivas de uma iniciativa que, na verdade, ampliou a competição no setor.
Ao criar uma infraestrutura de pagamentos gratuita para população, interoperável e não discriminatória, em vez de limitar a concorrência, o Pix ampliou as condições para que instituições não bancárias concorressem com bancos tradicionais, derrubando barreiras à entrada e promovendo um processo de inovação e inclusão financeira em massa.







