No mês passado, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, reclamou que o Pix prejudica injustamente empresas norte-americanas como Visa e Mastercard. Os EUA propuseram uma tarifa adicional de 25% sobre o Brasil em resposta.

No entanto, os brasileiros parecem impassíveis. "O Pix é uma conquista brasileira e não vamos abrir mão dele", respondeu Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil e crítico frequente do poder americano. Até seu rival de direita, Flávio Bolsonaro, disse não estar disposto a renunciar ao sistema. Em vez disso, sugeriu um acordo no qual o Brasil prometeria não vincular o Pix a infraestruturas de pagamentos internacionais que concorram com as dos Estados Unidos.

O episódio é uma amostra da nova realidade geopolítica das finanças globais. À medida que os EUA buscam o que Scott Bessent, secretário do Tesouro, descreveu recentemente como "diplomacia econômica no século 21", na qual o acesso global ao dólar e à economia americana "não é mais incondicional", e outros países tentam responder na mesma moeda, o sistema financeiro global está se fragmentando em sistemas regionais e nacionais. Isso está acontecendo primeiro nas formas de pagamentos —e representa uma dor de cabeça para Visa e Mastercard, o duopólio americano do setor.