Em janeiro, o diretor-presidente da Meta, Mark Zuckerberg, e seus principais assessores se reuniram para o retiro anual da liderança da companhia, realizado em sua propriedade no Havaí. Foi ali que conceberam um plano radical para repensar o trabalho na gigante das redes sociais na era da inteligência artificial. Batizado de Projeto OT — sigla em inglês para transformação organizacional —, o plano previa um futuro “nativo em IA” para a dona do Facebook e do Instagram. A inteligência artificial assumiria grande parte do trabalho cotidiano realizado por milhares de funcionários. Esses trabalhadores virtuais seriam supervisionados dentro da Meta por grupos menores de funcionários humanos, com alta concentração de talentos, segundo um documento interno de planejamento analisado pela Reuters e três pessoas familiarizadas com o projeto. Em exercícios de imaginação de cenários, executivos estudaram reduzir em até 60% o tamanho de muitas equipes da Meta, disseram duas dessas pessoas. Alguns funcionários receberiam propostas para assumir funções em novas unidades, enquanto outros seriam demitidos em um enxugamento que, segundo a projeção de um executivo de recursos humanos, poderia ser tão grande quanto ou maior que os cortes de cerca de 25% realizados pela empresa três anos antes, de acordo com outro documento interno. A reestruturação seria realizada em duas “ondas”, começando por uma primeira rodada de cortes em maio, seguida de outra reorganização em novembro, mostraram documentos internos de planejamento vistos pela Reuters. As demissões seriam complementadas pelo fechamento de vagas em aberto e pelo desligamento de pessoas que a Meta considerasse de baixo desempenho. Esses e outros detalhes do plano, incluindo a dimensão da reestruturação, não haviam sido divulgados anteriormente. Mas, na noite de 19 de maio, poucas horas antes da primeira rodada de demissões, Zuckerberg recuou. A Meta demitiu 10% de seus funcionários no dia seguinte, mas cancelou o planejamento dos cortes de novembro, segundo um documento interno analisado pela Reuters. Àquela altura, funcionários da Meta já estavam convencidos de que as iniciativas de transformação por meio da IA tinham, em parte, o objetivo de substituí-los. Dados internos também indicavam que a tecnologia de “agentes” autônomos de IA, peça central da estratégia, não estava entregando os ganhos de produtividade esperados. Alguns investidores também questionavam o que a Meta tinha a mostrar em troca de seus gastos gigantescos com IA. Esta reportagem revela pela primeira vez a rapidez dos cortes que a Meta considerava fazer, o raciocínio por trás dos planos e como eles rapidamente se desfizeram. Com base em dezenas de documentos, publicações e gravações internas analisadas pela Reuters, além de conversas com mais de 20 pessoas que conhecem o funcionamento interno da Meta, a apuração mostra como a gigante das redes sociais tentou se colocar na vanguarda de uma transformação do ambiente de trabalho impulsionada pela IA, mas tropeçou na execução. Em resposta a esta reportagem, a Meta confirmou a existência do Projeto OT, que descreveu como uma iniciativa de um ano voltada para redução de custos, reformulação das estruturas das equipes e realocação de funcionários para novas áreas prioritárias, como a produção de dados de treinamento para seus modelos de IA. A empresa reconheceu que o plano seria executado em duas etapas e que os cenários mais drásticos envolviam reduzir em até 60% o tamanho de algumas equipes da Meta. No entanto, recusou-se a especificar quais unidades estavam envolvidas e afirmou que várias áreas importantes não faziam parte do projeto. A Meta disse que os cenários incluíam tanto demissões quanto realocações e que, em nenhum momento, a empresa pretendeu demitir 60% de toda a sua força de trabalho. Segundo a companhia, os líderes cancelaram os planos para a segunda etapa antes de determinar quantas pessoas, no total, perderiam seus empregos. “Como parte da reestruturação de nossa empresa no início deste ano, pedimos a algumas equipes que realizassem um exercício de planejamento de cenários para avaliar o possível impacto de realocações, fechamento de vagas em aberto e cortes”, afirmou a Meta em comunicado. “Isso acabou resultando na transferência de milhares de funcionários para trabalhos prioritários em várias equipes recém-criadas, como já foi divulgado publicamente. No fim, não levamos adiante todos os cenários considerados no exercício — e nunca se presumiu que isso aconteceria.” A Reuters não conseguiu determinar exatamente o que levou Zuckerberg a mudar de rumo nem quais são os planos atuais da gigante das redes sociais para continuar reformulando sua força de trabalho. A Meta se recusou a disponibilizar Zuckerberg para comentar. O ‘manual nativo em IA’ Desde o lançamento do ChatGPT, da OpenAI, no fim de 2022, líderes do Vale do Silício vêm imaginando as possibilidades revolucionárias que a IA generativa poderia trazer para o futuro do trabalho. Eles têm demonstrado interesse especial pela promessa das chamadas capacidades “agênticas”. Os agentes, uma tecnologia ainda em estágio inicial, são desenvolvidos para fazer mais do que simplesmente fornecer respostas a perguntas, como os chatbots de IA tradicionais. A ideia é que sejam capazes de executar ações de forma autônoma, como fazer compras, reservar viagens e criar novos aplicativos. Na Meta, executivos mergulharam, no ano passado, em filosofias de gestão inspiradas pela IA. Eles se entusiasmaram com ideias vindas do universo das startups segundo as quais as empresas não deveriam apenas incorporar a IA aos processos existentes, mas se tornar totalmente “nativas em IA”. Como previa um documento do Projeto OT: “Ferramentas e agentes preparados para IA interagem, fluxos de trabalho são automatizados, novos produtos são desenvolvidos com IA desde o início.” A estratégia também incluía a intenção de a Meta vender agentes de IA a outras empresas, capazes de realizar tarefas como marcar compromissos e fechar vendas. Executivos da Meta, incluindo o diretor de dados Alex Schultz e a chefe de produto Naomi Gleit, visitaram a Ásia no ano passado e ficaram impressionados com a forma como startups da região haviam estruturado seus organogramas em torno da IA, segundo três pessoas familiarizadas com as viagens. Executivos da Meta também encomendaram pesquisas próprias sobre a organização de startups de IA e criaram projetos-piloto para definir o que significaria ser “nativa em IA” dentro da companhia, segundo uma fonte familiarizada com a pesquisa e documentos internos que descrevem os testes. Questionada em junho sobre a origem da transformação da força de trabalho da Meta por meio da IA, Gleit disse à Reuters que havia passado “bastante tempo” no escritório da Meta em Cingapura no ano passado e afirmou que as práticas adotadas ali haviam “inspirado algumas das equipes na Califórnia e em Nova York”. Segundo ela, muitas das ideias surgiram “de baixo para cima”, refletindo mudanças que alguns funcionários da Meta já começavam a implementar por conta própria. Ime Archibong, vice-presidente de gestão de produtos da Meta há muitos anos, anunciou um dos primeiros projetos-piloto da companhia em julho do ano passado. Em uma publicação interna, ele descreveu como sua equipe estava dando o primeiro passo para modernizar o desenvolvimento de produtos, recorrendo a uma metáfora esportiva para explicar a transição. “No basquete, adotar o contra-ataque permite que você faça mais arremessos — e melhores. Esperamos o mesmo das ferramentas de IA: elas nos permitem explorar mais ideias com menor custo e maior fidelidade”, escreveu Archibong. Ele previu que protótipos criados rapidamente com IA seriam mais parecidos com produtos acabados do que antes. “Isso não é apenas mais divertido — em uma era em que a IA vem em primeiro lugar, acreditamos que essa é a estratégia vencedora.” Seis meses depois, Zuckerberg também mencionou o potencial da IA para tornar o trabalho “muito mais divertido” durante uma teleconferência de resultados. Na prática, o projeto-piloto de Archibong envolvia a criação de cinco “pequenos núcleos de tecnologia”, cada um formado por dois ou três engenheiros e um designer, todos equipados com ferramentas de IA. Os grupos deixariam de lado processos tradicionais para o lançamento de novos produtos, como ciclos fixos de planejamento de seis meses. Em vez disso, buscariam construir protótipos em “sprints” de quatro semanas, escreveu ele. Em outubro, um integrante da equipe de Archibong antecipou uma expansão mais ampla dessa abordagem. Em uma publicação interna intitulada “Manual nativo em IA”, a pessoa apresentou um guia para que outras equipes “dessem o salto”. As funções tradicionais de designers de produto e engenheiros desapareceriam, e os integrantes dos núcleos de tecnologia receberiam um novo cargo genérico: “builder”, ou construtor. Camadas intermediárias de gestão seriam eliminadas. Em vez disso, os núcleos responderiam a um único líder de unidade de alto escalão. Uma “análise assistida por agentes” ajudaria a definir as prioridades do dia a dia. A Meta se recusou a disponibilizar Archibong para comentar ou a responder perguntas sobre seus primeiros projetos-piloto “nativos em IA”. No início deste ano, Zuckerberg colocou o Projeto OT em andamento e orientou os executivos a avançar com as mudanças nas estruturas de gestão. Até junho, pelo menos 11 unidades, incluindo equipes de engenharia e pesquisa, haviam implementado pequenos núcleos, de acordo com comunicados internos e cinco pessoas familiarizadas com a organização. Com as mudanças, a Meta introduziu uma “abordagem de vila”, do inglês “village approach”, para a gestão de pessoas, segundo um comunicado interno de uma das unidades. Avaliações de desempenho e promoções seriam decididas por chefes de unidades de alto escalão, chamados de “Org Leads”, com apoio de profissionais de recursos humanos e de “sistemas de IA” não especificados, dizia a publicação. Cada chefe de unidade supervisionaria entre 30 e 50 pessoas, enquanto os “Pod Leads”, ou líderes dos núcleos, conduziriam o trabalho cotidiano dos pequenos grupos, mas sem autoridade formal de gestão, segundo as fontes e os comunicados. Um funcionário da Meta designado para administrar um desses núcleos manifestou confusão sobre o novo modelo em um fórum interno da empresa, segundo uma cópia da publicação. “Não estou fazendo treinamento para gestor e não estou recebendo acesso às avaliações nem às ferramentas de gestão”, escreveu. A Meta disse à Reuters que as equipes “experimentaram diferentes maneiras de se tornar mais ágeis”. A empresa se recusou a explicar a referência da publicação a “sistemas de IA”, mas afirmou: “As decisões sobre avaliações de desempenho e promoções eram e continuam sendo tomadas por pessoas, não pela IA.” Por volta da mesma época, a Meta também lançou uma nova ferramenta de recursos humanos para identificar “talentos insubstituíveis”, de acordo com um documento interno visto pela Reuters. O documento mencionava o conceito hipotético de um “profissional 10X” — uma referência a um antigo arquétipo do Vale do Silício, o engenheiro capaz de fazer o trabalho de dez pessoas. O termo voltou a ganhar popularidade, já que muitos entusiastas da IA acreditam que a tecnologia permitirá que pessoas extremamente talentosas realizem o trabalho de equipes inteiras. Segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto, a Meta pretendia usar parte da economia obtida com as demissões para oferecer pacotes de remuneração gigantescos com o objetivo de atrair e reter esses profissionais, especialmente engenheiros de IA de destaque. Revolta dos funcionários Em 13 de março, antes mesmo de muitos líderes com cargo de vice-presidente terem sido informados sobre o Projeto OT, a Reuters noticiou que a Meta planejava demissões que poderiam afetar 20% ou mais de sua força de trabalho. Não teria sido a primeira redução dessa dimensão: entre o fim de 2022 e o início de 2023, a Meta cortou cerca de 25% de seus funcionários. Ainda assim, a reportagem causou preocupação. Muitos funcionários de níveis hierárquicos mais baixos ficaram abalados. E, naquele momento, eles ainda não deveriam saber dos cortes, o que irritou Zuckerberg e deixou os executivos despreparados para a reação negativa, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto. Na época, um porta-voz da Meta classificou a reportagem como “especulação sobre abordagens teóricas”. Internamente, os executivos de alto escalão se fecharam. Optaram por não discutir a reportagem com os funcionários em geral e, de forma discreta, minimizaram seu conteúdo diante dos gerentes seniores, orientando-os a dizer às equipes que as funções deveriam “evoluir” como resultado da IA, segundo um documento com orientações de comunicação visto pela Reuters. Em abril, a Reuters publicou mais detalhes: a Meta se preparava para cortar cerca de 10% de sua força de trabalho em uma primeira rodada de demissões em 20 de maio e pretendia reduzir ainda mais o quadro de funcionários no segundo semestre. Pouco depois, a Meta confirmou aos funcionários o plano de redução de 10%, e Zuckerberg mais tarde disse a eles que os cortes se deviam aos elevados gastos de capital. Os executivos já haviam começado a avançar com outros aspectos do plano. Alguns engenheiros, por exemplo, foram transferidos para uma nova unidade de Engenharia Aplicada de IA, encarregada de criar desafios de engenharia de software que seriam utilizados como dados de treinamento para melhorar a capacidade de programação dos modelos de IA da Meta. Em publicações internas vistas pela Reuters, muitos funcionários criticaram o trabalho, descrevendo-o como repetitivo e entediante. A Meta disse à Reuters que a empresa está começando a observar avanços decorrentes das realocações, destacando que os dados produzidos pela unidade de Engenharia Aplicada de IA ajudaram a treinar um modelo de IA lançado no mês passado. Entre as transferências e os cortes de empregos, o número de funcionários em algumas unidades de engenharia caiu até 30% até o fim de maio, segundo um documento e pessoas familiarizadas com o planejamento. A Reuters também informou em abril que a Meta havia determinado a instalação de um software de monitoramento nos dispositivos de funcionários nos Estados Unidos para registrar as teclas digitadas e os cliques do mouse, com o objetivo de ensinar seus agentes de IA a reproduzir a maneira como seres humanos interagem com computadores. Acreditando que poderiam estar treinando os sistemas de IA que acabariam substituindo seus próprios empregos, e irritados com a falta de detalhes sobre as demissões, muitos funcionários inundaram a rede interna de comunicação da Meta — chamada Workplace — com textos indignados e humor mórbido. Funcionários responderam a publicações internas de executivos com imagens de elefantes, simbolizando que as demissões eram o “elefante na sala”, segundo exemplos vistos pela Reuters. Alguns entraram em confronto direto com Andrew Bosworth, diretor de tecnologia da Meta, que supervisionava a transformação por meio da IA e a defendia em comentários publicados internamente. Uma pessoa provocou Zuckerberg ao comparar sarcasticamente seu anúncio interno de uma iniciativa de IA para pequenas empresas a Prometeu, personagem da mitologia grega que entregou o fogo à humanidade. A Meta se recusou a disponibilizar Bosworth para comentar. O moral dos funcionários despencou. O indicador interno da Meta sobre a percepção dos empregados caiu de 74% de avaliações favoráveis para 55%, segundo a pesquisa semestral Pulse da empresa. Os esforços de organização dos trabalhadores ganharam força. Em meio à revolta, outros dados internos indicavam que a tecnologia no centro do plano não estava entregando os resultados esperados. O uso de IA pelos funcionários havia provocado um enorme aumento na quantidade de código produzido, mas com impacto questionável sobre a produtividade, de acordo com publicações internas vistas pela Reuters. Por exemplo, as alterações de código feitas nas plataformas internas de software e na infraestrutura utilizada pelos funcionários no trabalho haviam aumentado 220% em relação ao ano anterior, segundo uma publicação de Bosworth no início de junho. No entanto, as mudanças que resultaram em funcionalidades novas ou aprimoradas chegando aos usuários da Meta cresceram apenas 36%. Já em março, equipes de infraestrutura também alertavam para “sinais de alerta de confiabilidade” provocados pelo aumento da programação com IA, segundo uma publicação interna. Outro texto, de abril, afirmava que agentes de IA sem supervisão estavam realizando “ações disruptivas em grande escala que seres humanos dificilmente executariam”. O resultado foi um salto de 40% em grandes incidentes técnicos e de segurança, como interrupções de serviços e possíveis vazamentos de dados, em relação ao ano anterior. O tempo gasto pelos funcionários para “apagar incêndios” provocados por esses problemas aumentou 70%, segundo as publicações internas. O público teve um vislumbre do problema no início de junho, depois que hackers exploraram o novo bot de atendimento ao cliente da Meta, baseado em IA, para obter acesso a contas de grande visibilidade no Instagram, incluindo a página inativa da Casa Branca durante o governo Obama. A Meta se recusou a comentar os dados internos sobre os problemas provocados pela IA. Com as pressões se acumulando, Zuckerberg mudou de rumo. Poucas horas antes de a Meta realizar sua primeira rodada de demissões do Projeto OT, em 20 de maio, ele voltou a se reunir com seus principais assessores e cancelou a segunda etapa da reestruturação, prevista para novembro. Na manhã seguinte, a Meta prosseguiu com o corte de 10%. Mas, depois que as notificações foram enviadas, Zuckerberg publicou um memorando no Workplace dizendo aos funcionários que permaneceram na Meta que “não esperava outras demissões em toda a empresa neste ano” e manifestou o desejo de oferecer a eles mais “estabilidade”. Os executivos então tentaram recuperar o moral das equipes. Incentivaram os chefes das unidades a reconhecer os sentimentos dos funcionários, suspenderam o programa de monitoramento do mouse, permitiram que alguns empregados da nova unidade de engenharia de IA voltassem às equipes anteriores e encarregaram a diretora financeira, Susan Li, de melhorar os benefícios oferecidos aos funcionários. Nas semanas posteriores às demissões, uma série de publicações de executivos em tom empático apareceu no Workplace, acompanhada de promessas de melhorar a qualidade dos lanches nas pequenas cozinhas dos escritórios e aumentar os gastos com viagens e eventos sociais. A Meta se recusou a disponibilizar Li para comentar esta reportagem. No início de julho, Zuckerberg fez uma aparição surpresa em uma reunião interna geral e reconheceu erros de cálculo em relação ao momento da reorganização. A tecnologia de agentes de IA, afirmou, não havia “avançado” tão rapidamente quanto ele esperava. Acrescentou que esperava uma melhora da tecnologia e que ela começasse a apresentar mais benefícios nos três a seis meses seguintes. Ao mesmo tempo que reduziu os aspectos mais disruptivos da transformação interna por meio da IA, Zuckerberg também lançou uma ofensiva de relações públicas para apresentar a Meta como uma empresa centrada nas pessoas. A iniciativa incluiu um anúncio em vídeo afirmando que a companhia está “apostando nas pessoas”. Na campanha, que também incluiu recentemente um ensaio de 6.500 palavras no qual Zuckerberg detalhou sua visão para o futuro da IA, o diretor-presidente destacou os planos da Meta de facilitar a criação de agentes de IA para os usuários, ao mesmo tempo que retratou concorrentes não identificados como os verdadeiros destruidores de empregos. Em uma publicação interna em junho, disse aos funcionários: “Somos a única grande empresa concentrada em dar mais poder às pessoas e colocar a força dessa nova tecnologia nas mãos de bilhões de pessoas em todos os nossos produtos — em vez de nos concentrarmos principalmente em automatizar o trabalho.” Ainda assim, Zuckerberg tem se atido às expressões “em toda a empresa” e “neste ano” ao falar sobre demissões com os funcionários, de acordo com suas comunicações internas. Isso levou alguns empregados a especular que ele continuará reduzindo o quadro por meio de cortes específicos em determinadas equipes ou demissões relacionadas a desempenho — ou que adiará reduções de pessoal em toda a companhia para o ano que vem. A empresa enfrenta pressão sobre seu caixa e o escrutínio dos investidores devido aos gastos vertiginosos com IA, aumentando a necessidade de encontrar formas de economizar. A Meta planeja investir pelo menos US$ 130 bilhões em chips de IA e outras infraestruturas neste ano, valor que, segundo estimativas da LSEG, deverá consumir todo o caixa operacional da companhia em 2026. Em seu ensaio sobre o futuro da IA, intitulado “O futuro é para todos”, Zuckerberg prevê que poderá haver “uma abundância de empregos no futuro”. Algumas empresas, porém, podem acabar tendo menos funcionários. “O tamanho das empresas pode diminuir — assim como ocorreu na transição dos gigantes industriais para as empresas de tecnologia”, escreveu. “Mas isso não significa menos empregos no total. Significa um número maior de empresas, cada uma com menos pessoas.” Mark Zuckerberg, CEO da Meta — Foto: David Paul Morris/Bloomberg