O Supremo Tribunal Federal discute nesta quinta-feira 26 se existe vínculo empregatício entre trabalhadores de aplicativos e as empresas que operam as plataformas. A decisão terá repercussão geral e deverá ser seguida por todos os tribunais do País. No caso concreto, a Uber contesta uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho que reconheceu o vínculo empregatício com uma motorista. A empresa sustenta que são os motoristas que contratam a plataforma para obter clientes, e não a Uber que contrata os trabalhadores.

A CartaCapital, Paulo Galo, entregador do iFood e uma das principais lideranças do movimento por direitos dos trabalhadores de aplicativos, falou sobre a descrença da categoria nas instituições, as conquistas obtidas por meio das greves — os chamados “breques” — e suas expectativas em relação às discussões no Supremo.

CartaCapital: Desde o início da sua militância pelos direitos dos trabalhadores de aplicativos, quais avanços você observa na percepção pública, nas propostas políticas e na rotina da categoria? O que mudou concretamente?

Paulo Galo: Quando começamos a fazer os breques, em 2020, algumas conquistas foram alcançadas. A taxa mínima de entrega, por exemplo, era de 5 reais e hoje é de 7,50 reais. Além disso, o valor por quilômetro, que era de 1 real, subiu para 1,50 real. Acho que essa é a conquista mais significativa para os entregadores do iFood. Foram os dois grandes breques e outros tantos menores que resultaram nisso.