Segurança que deu 63 pauladas na vítima foi para a casa da família após prestar dois depoimentos e acabou sendo levado para a delegacia pelo pai. Dona de casa afirma que o filho tem transtorno mental 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Violência gratuita. Davi, ao lado dos entregadores Aílton e Felipe: pouco antes do trio espancar Cláudio Rafael até a morte — Foto: Reprodução Preso por agredir o ciclista Cláudio Rafael Landeiro com 63 pauladas, o segurança Davi Santos Machado, de 21 anos, se entregou à polícia na semana passada a pedido da mãe, a dona de casa Neide dos Santos. Ela contou ao GLOBO que soube do envolvimento do filho no linchamento em Copacabana pelos vizinhos e que não teve forças para ver as imagens em que a vítima é brutalmente espancada e deixada agonizando numa calçada. Cláudio Rafael morreu horas depois no hospital com hemorragia interna e traumatismo craniano. Após prestar dois depoimentos sobre o homicídio na delegacia do bairro, Davi saiu do Caju, onde morava sozinho, e foi para a casa dos pais, na Baixada Fluminense. — Coração de mãe sente quando há alguma coisa com o filho. Senti que ele não estava bem. Ele chegou aqui nervoso. Perguntei o que estava acontecendo, e ele me disse que tinha dado um soco num menino. Logo depois veio a notícia da morte. Eu mandei que se entregasse à polícia. O inspetor ligou pedindo que ele se apresentasse na delegacia (de Copacabana, a 12ª), porque precisava reconhecer algumas imagens. O pai o levou até lá, mas havia tanta gente na porta que os dois ficaram com medo de serem linchados também — relembrou Neide, que tem três filhos. Exames para a Defensoria Pai e filho foram então para a 53ª DP (Mesquita), onde Davi se entregou. A mãe afirma que o filho tem problemas psicológicos desde o nascimento e que guarda os resultados de seus eletroencefalogramas. Ela pretende levar os exames para a Defensoria Pública: — Corri muito com esse menino atrás de tratamento. Ele não conseguia ficar quieto na sala de aula. Eu era chamada toda semana na escola para conversar com a diretora, porque ele era hiperativo. Questionada se Davi era agressivo com colegas e parentes, ela contou que, em casa, procurava evitar brigas com a irmã mais nova e o irmão mais velho. — Quando ele era pequeno, eu conseguia mantê-lo em tratamento. Quando cresceu, ele disse que não iria a lugar nenhum, porque não era maluco — comentou. Mais um citado O segurança Jorge Luiz Ricardo Dias, que está preso por participar indiretamente do crime, disse em depoimento à 12ª DP (Copacabana) que ele e Davi tinham sido contratados para o serviço de vigilância de rua por um homem chamado Aluísio, localizado ontem pelo GLOBO. — Eu fui contratado pelos lojistas, mas sou como os outros seguranças. No dia do ocorrido, nem estava trabalhando. Perguntei o que tinha acontecido para eles e fiquei sabendo da situação depois — disse Aluísio, que se desculpou por estar ocupado e não informou o sobrenome. Esse terceiro segurança deverá ser ouvido pela polícia nos próximos dias. Ontem, mais cinco pessoas prestaram depoimento sobre o caso: três comerciantes que teriam contratado o serviço prestado pelo grupo, uma mulher que entregou a Davi o porrete usado no crime e um ciclista que assistiu ao espancamento sem nada fazer. Além de Davi e Jorge Luiz, estão presos os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Aílton José da Silva, por terem ajudado a espancar a vítima no início da madrugada do último dia 12. Os quatro acusaram Cláudio Rafael, injustamente, de ter roubado uma bicicleta. O quinto elemento A Polícia Civil deve identificar, nas próximas horas, um quinto envolvido na morte. Imagens de uma câmera de segurança mostram que, durante o linchamento, um homem de casaco cinza com listras chega, dá um chute na cabeça da vítima e vai embora. Segundo o delegado Ângelo Lages, da 12ª DP (Copacabana), responsável pela investigação, a polícia já sabe que ele desembarcou de um carro segundos antes da agressão. — O que sabemos até agora é que ele saiu de um carro, atravessou a rua e foi até o local onde o Cláudio Rafael estava sendo linchado por três homens — informou o delegado. — Você nota que ele concorda com aquela cena ali.