Três dos quatro envolvidos estão presos. Um quarto suspeito é considerado foragido. Segundo a Polícia Civil, os quatro foram indiciados por homicídio triplamente qualificado, por meio cruel, motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima. Veja o que se sabe sobre o caso: O que aconteceu? Cláudio saiu de casa para passear de bicicleta na noite de 11 de agosto. Segundo a família, ele tinha transtornos mentais e falava pouco. Na Rua Barata Ribeiro, ele foi abordado pelo segurança de rua Davi Santos Machado, que perguntou se a bicicleta era dele. Cláudio respondeu que não — a bicicleta, de fato, era da irmã. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop. Segundo a investigação, Davi passou a suspeitar que Cláudio tivesse furtado a bicicleta e chamou dois entregadores que passavam pelo local. Imagens mostram que o outro segurança, Jorge Luiz Ricardo Dias, retirou a bicicleta de Cláudio à força. A vítima tentou recuperar o objeto, foi agredida e correu. Cláudio se sentou em frente a um prédio, na Rua Felipe Oliveira, onde voltou a ser cercado pelos homens. Os dois entregadores se juntaram a Davi e começaram a agredi-lo. Cláudio Rafael Landeiro — Foto: Reprodução As agressões duraram quase nove minutos e foram registradas em vídeo pelos próprios envolvidos. Cláudio não reagiu. Depois, ele ficou agonizando por cerca de meia hora na calçada. Bombeiros foram chamados e levaram Cláudio para o hospital, mas ele não resistiu. Quem são os envolvidos? Davi Santos Machado, de 21 anos: segurança de rua. Ele aparece nas imagens agredindo Cláudio com um cacetete e dando diversos golpes na cabeça da vítima. Segundo a polícia, inicialmente prestou depoimento como testemunha e negou ter participado das agressões. No dia seguinte, voltou à delegacia e confessou o crime. Jorge Luiz Ricardo Dias: outro segurança de rua envolvido no caso. Ele aparece em imagens carregando um pedaço de madeira e levando a bicicleta de Cláudio. A Justiça decretou a prisão dele, mas Jorge está foragido. Felipe Eduardo dos Santos Silva, de 23 anos: entregador. Ele aparece nas imagens participando das agressões. Felipe se entregou à polícia na tarde desta quinta-feira (21). Ailton José da Silva: também entregador. Ele aparece nas imagens espancando Cláudio. Teve a prisão decretada pela Justiça e está foragido. O que Davi disse à polícia? Davi prestou depoimento cinco dias depois do crime, inicialmente na condição de testemunha. Segundo a polícia, ele mentiu e afirmou que não tinha visto nem participado das agressões. No dia seguinte, porém, voltou à delegacia e confessou ter agredido Cláudio. No depoimento, Davi afirmou que ele e os dois entregadores passaram a dar socos e pontapés na vítima. Disse também que usou um cacetete para golpeá-la. Cláudio Rafael Landeiro no vídeo gravado pelos próprios agressores — Foto: Reprodução Segundo o relato, em um “ato insano”, ele deu vários golpes na cabeça de Cláudio e afirmou não saber explicar o que o levou a agir daquela forma. Davi também declarou que não havia qualquer informação concreta de que a bicicleta tivesse sido furtada. Ainda segundo o depoimento, Cláudio não ofereceu resistência e obedeceu às ordens dos homens. Davi afirmou que não ouviu a vítima pedir socorro. O que Jorge disse? Jorge afirmou à polícia que viu Davi e os dois entregadores agredindo Cláudio enquanto ele estava caído na calçada e sem reação. Ele não participou das agressões, segundo seu depoimento e o de Davi. Segundo o depoimento, depois de deixar o local, Jorge perguntou a Davi se ele “ia ficar rindo” e se tinha noção do que havia feito. De acordo com Jorge, Davi não respondeu e continuou rindo. O que mostram as imagens? Os vídeos mostram os quatro homens envolvidos em diferentes momentos da ocorrência. Parte das imagens foi gravada pelos próprios agressores. Em um dos vídeos, enquanto Cláudio é agredido, um dos homens diz: “É pra aprender a lição. É tropa do ódio”. Homem com vareta deu 30 pauladas em Cláudio — Foto: Reprodução/TV Globo As imagens também mostram Jorge carregando um pedaço de madeira e levando a bicicleta da vítima. A polícia identificou ainda outro homem que aparece dando um chute na cabeça de Cláudio. Ele ainda não foi identificado e também será investigado. Por que eles atacaram Cláudio? A investigação aponta que Cláudio foi confundido com um ladrão de bicicleta. Segundo o delegado Ângelo Lages, Davi abordou os dois entregadores que passavam pela região e disse que havia “um ladrão de bicicleta” no local. A polícia, porém, não encontrou informação concreta de que a bicicleta tivesse sido furtada. O veículo pertencia à irmã de Cláudio. O que a polícia investiga? Além das circunstâncias da morte, a Polícia Civil investiga a atuação dos chamados “seguranças de rua”. Segundo o delegado, a segurança privada só pode ser exercida dentro de propriedades particulares. A atuação em vias públicas, de acordo com ele, caracteriza prestação de serviço clandestina e pode configurar exercício ilegal da profissão. A polícia também pretende identificar outras pessoas que possam ter participado ou contribuído para as agressões. Qual foi a conclusão da polícia até agora? Davi, Jorge, Felipe e Ailton foram indiciados por homicídio triplamente qualificado. As qualificadoras apontadas são: Meio cruel, pela forma como Cláudio foi agredido;Motivo fútil, já que o ataque começou por uma suspeita de furto que não foi comprovada;Impossibilidade de defesa da vítima, que estava cercada e foi agredida por vários homens. Três dos quatro suspeitos estão presos. A investigação continua para esclarecer toda a dinâmica do crime e identificar outras pessoas que possam ter participado das agressões.