Aílton José da Silva e Felipe Eduardo Santos Silva tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Aílton José da Silva (à esquerda) e Felipe Eduardo Santos Silva — Foto: Reprodução A 12ª DP (Copacabana) identificou mais dois homens suspeitos de espancarem até a morte Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, no último dia 12, após confundi-lo com um assaltante. Aílton José da Silva e Felipe Eduardo Santos Silva aparecem vestindo roupas de entregadores em imagens do crime, ocorrido em Copacabana, na Zona Sul do Rio, registradas por câmeras de segurança. Os dois tiveram a prisão temporária por 20 dias decretada pelo plantão judiciário. Outros suspeitos do crime, o segurança David Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias se entregaram na 53ª DP (Mesquita) e na 12ª DP, respectivamente, nesta quinta-feira. Imagens mostram espancamento até a morte de homem em Copacabana As imagens do crime brutal mostram que em seis dos nove minutos de gravação, contam-se 57 pauladas, fora pisões na cabeça, chutes e socos. O laudo de necropsia da vítima aponta traumatismo cranioencefálico e hemorragia interna, além de lesões no baço e no rim esquerdo. Os registros das câmeras de segurança foram capturados nas ruas Barata Ribeiro e Felipe de Oliveira. Como as imagens mostram, Machado abordou Cláudio Rafael, que havia saído de casa perto das 22h30 do dia 11, em Botafogo, também na Zona Sul, para passear: ele usava a bicicleta da irmã. Já em Copacabana, o segurança suspeitou que a vítima tivesse roubado a bicicleta e, ainda na Rua Barata Ribeiro, na altura do número 35, encostou-a na frente de uma loja. Logo em seguida, Jorge Luiz aparece pedalando e atravessando a rua, quando Cláudio tenta evitar que levassem o bem que era de sua irmã. Machado, então, o repele usando um porrete de madeira. Com a mesma arma, o segurança aparece na sessão de espancamento filmada na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali, ao contrário do que disse em seu primeiro depoimento, ele protagoniza as agressões, ajudado pelos dois homens de bicicleta e com mochilas de entregadores. Eles alcançam a vítima primeiro, sentada na escada de um prédio, e parecem cercá-la — até a chegada de Machado, ainda munido do porrete. Aquilo a que se assiste em seguida são cenas de brutalidade indizível e inexplicável. Acusado injustamente de roubo, Cláudio Rafael, que tinha transtornos psicológicos, segundo a família, sofre as primeiras agressões e tenta escapar — mas é contido pelos entregadores, que o socam enquanto o seguram. O segurança desfere mais três pauladas, erra uma e chega a deixar o porrete cair no chão, mas logo recupera a ferocidade: em uma sequência de 20 segundos, contam-se 15 golpes com o cassetete improvisado, além de dois chutes. A barbárie continua, com breves interrupções em que o trio de agressores filma e tira fotos da vítima no chão. Entre quase seis dezenas de pauladas, Machado acerta uma enquanto aparentemente fala com alguém pelo celular. A certa altura, um quarto personagem, um homem de suéter, se aproxima, dá um chute na cabeça do homem e se afasta. Em alguns momentos, Cláudio ergue as mãos, parece implorar, e em outros tenta se levantar, mas não consegue e rola se contorcendo na calçada. Ele foi deixado ali, agonizando por pelo menos 30 minutos até a chegada dos bombeiros. Deu entrada no Hospital Miguel Couto à 1h, mas não resistiu. — Ao analisar as imagens, todos aqui na delegacia ficaram estarrecidos. São muito fortes — diz o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP.