Durante vários anos, Nicole Straight e Patricia Wood, que moravam uma em frente à outra em Sausalito, na Califórnia, foram mais vizinhas do que amigas: trocavam cumprimentos cordiais e, de vez em quando, tomavam um café juntas.
Então, em outubro passado, Wood caiu, quebrou o pescoço e passou três meses em reabilitação. Quando voltou para a casa onde mora com a sobrinha, já não conseguia andar sem ajuda. "Ainda não me atrevo a subir ou descer escadas sem alguém ao meu lado", diz Wood, 93.
Isso redefiniu a relação de vizinhança entre elas. Straight, 53, chef de cozinha aposentada, agora a visita toda semana, levando cafés com leite e biscoitos, além, muitas vezes, de sobras dos jantares que prepara. O marido dela instalou uma barra de apoio no banheiro de Wood, colocou prateleiras e trocou lâmpadas e pilhas dos detectores de fumaça. As mensagens não param de ir e vir.
Straight liga para dizer: "Estou indo ao supermercado. Você precisa de alguma coisa?". Wood, que não dirige mais, passa uma lista de compras.
"Ela é um presente dos céus", diz Wood, executiva aposentada do setor de seguros. "Conversamos sem parar. Às vezes derramamos algumas lágrimas, mas, na maior parte do tempo, rimos. Nunca imaginei que teria uma nova melhor amiga nesta fase da vida."






