Envelhecer bem não depende apenas das condições individuais de saúde. O bairro onde uma pessoa mora pode ampliar ou limitar sua capacidade de permanecer ativa, independente e socialmente conectada, mostrou um estudo com mais de 5.000 brasileiros de 50 anos ou mais.

Aqueles que vivem em bairros com melhor mobilidade urbana, por exemplo, com acesso a transporte público e segurança para atravessar a rua, têm mais que o dobro de chance de se manterem ativos socialmente, mesmo quando enfrentam limitações físicas ou cognitivas.

O estudo do Hospital Sírio-Libanês, baseado em dados de 5.068 participantes do Elsi-Brasil (Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros), foi publicado na revista Age and Ageing, da Universidade de Oxford, e apresentado no mês passado na sede da OMS (Organização Mundial da Saúde).

O trabalho avaliou como características do ambiente urbano interagem com a chamada capacidade intrínseca, conceito adotado pela OMS que mede a reserva de saúde de uma pessoa a partir de cinco domínios: mobilidade, cognição, humor, vitalidade e funções sensoriais, como visão e audição.

A principal conclusão é que um ambiente urbano mais favorável pode funcionar como uma espécie de compensação para pessoas que perderam parte da capacidade funcional.