0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Candidatos à Presidência cumprem agendas de campanha em diferentes estados nesta segunda-feira, primeiro dia útil da corrida eleitoral. — Foto: Agência O Globo Os candidatos à Presidência da República ainda não explicaram seus programas para o ajuste das contas públicas, um tema inescapável para o próximo mandato. Os economistas têm alertado sobre a necessidade de ajuste fiscal e sobre o perigo de não o fazer. A questão é que isso passa por assuntos delicados e impopulares, como o reajuste do salário mínimo. Nesta segunda-feira, o governo anunciou que haverá um aumento de 7,4% para 2027. Pode parecer pouco, mas a projeção do Boletim Focus é de que a inflação feche este ano em 5%. Ou seja, haverá um aumento real de 2,4 pontos percentuais. No ano passado, o reajuste foi de 6,79%, enquanto o IPCA havia ficado em 4,26%. Quando tratamos do salário de quem está na ativa, não há problema em discutir aumento real. A questão é que esse aumento também eleva os benefícios pagos pelo governo, incluindo aposentadorias e pensões. E essa é uma das maiores contas do Orçamento: as aposentadorias e outros benefícios atrelados ao salário mínimo. Dar aumento real aos aposentados, em um país que está envelhecendo, fica muito caro e aumenta a velocidade de crescimento dessa despesa. Os economistas são praticamente unânimes em dizer que chegará um momento em que o gasto previdenciário comprometerá de forma grave a sustentabilidade do Orçamento, inviabilizando investimentos. O governo precisa dizer se manterá o reajuste real do salário mínimo e a indexação das aposentadorias e pensões ao piso nacional. Mas não tem coragem de dizer que fará essa mudança. Os candidatos de direita, que se apresentam como fiscalistas, também não querem se comprometer com ela. E esse é apenas um dos exemplos das medidas espinhosas que precisarão ser discutidas. Na entrevista de Romeu Zema nesta segunda-feira, no Jornal Nacional, por exemplo, quando foi feita justamente essa pergunta - se ele manteria a correção do salário mínimo acima da inflação e a vinculação das aposentadorias e pensões ao piso nacional - ele preferiu sair pela tangente. O candidato do Novo disse não achar justo que o aposentado não tenha seus ganhos corrigidos pela inflação, mas não falou sobre aumento real nem sobre desvinculação. E não teve coragem de dizer isso mesmo em uma situação na qual, neste momento, sua viabilidade eleitoral é praticamente nula. O candidato tem entre 3% e 4% das intenções de voto nacionalmente e cerca de 10% em Minas Gerais. Zema também disse ter feito um ajuste nas contas de Minas Gerais, mas não explicou que isso ocorreu porque não fez, na maior parte do tempo, o pagamento dos juros da dívida do estado com o Tesouro Nacional, o que abriu espaço para mais gastos. Ele obteve no Supremo Tribunal Federal uma liminar que permitiu a suspensão do pagamento integral da dívida. Ou seja, o STF contribui para aumentar o déficit da União, neste caso. No cenário nacional, o Congresso não apenas cria novas despesas, as chamadas pautas-bomba, para as quais não há recursos previstos, mas também amplia ano a ano o volume das emendas parlamentares e a parcela de emendas impositivas, o que engessa ainda mais o Orçamento. Neste momento, os três Poderes estão criando despesas maiores para o Orçamento, e essa conta não fecha. Por isso, dizer que o governo Lula é gastador não explica tudo. Dizer que a oposição será fiscalista também não basta, porque os candidatos ainda não disseram como pretendem fazer o ajuste. Esse assunto precisa ser encarado de frente. Até agora, nenhum dos candidatos ao Planalto fez isso.