Durante décadas, a remota cidade de Minaçu prosperou com sua mina de amianto, a última das Américas, até que a associação do material, antes considerado milagroso, levou a proibições e ao declínio da indústria por conta de doenças fatais.

Hoje, o município do interior brasileiro está no centro de uma corrida global pelos minerais de terras raras, essenciais para eletrônicos, energia limpa e tecnologias de defesa e que se tornaram um dos pontos de tensão na guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Em meio a uma paisagem de montanhas e vales verdes, um grupo de mineração afirma ter no local a única operação fora da Ásia capaz de extrair em escala alguns dos tipos mais escassos desses metais, com apoio financeiro do governo americano.

Moradores acreditam que a atividade pode recuperar a economia da comunidade de 27 mil habitantes no estado de Goiás, região de cerrado tropical. Desde o início da produção comercial de terras raras no país, há cerca de dois anos, novos moradores voltaram a chegar, segundo o prefeito de Minaçu, Carlos Alberto Leréia.

"É um ganho tremendo. O lugar estava a caminho de se tornar uma cidade fantasma", disse. "É como se você estivesse se afogando e, de repente, aparecesse uma corda —é preciso agarrá-la."