* Por Erika Daguani

A Reforma Tributária tem sido discutida, com razão, pelo seu impacto legislativo. Mas, dentro das empresas, o efeito mais sensível deve aparecer em um lugar menos óbvio: o backoffice. A mudança não será absorvida apenas com interpretação jurídica, parametrização de ERP ou revisão de alíquotas. Ela vai testar a qualidade dos dados que sustentam a operação fiscal e financeira todos os dias.

Muitas empresas ainda tentam prever os impactos da Reforma com planilhas, simulações isoladas ou análises que dependem do fechamento para mostrar o que aconteceu semanas antes. O problema é que, quando a informação chega tarde, a decisão também chega tarde. Especialmente em um ambiente de transição tributária, esse atraso pode afetar margem, caixa, compliance e relacionamento com fornecedores.

A Reforma deve expor uma fragilidade antiga: a desconexão entre documento fiscal, fornecedor, pedido de compra e pagamento. A nota nasce em um lugar, o pedido está em outro, a comunicação com o fornecedor acontece por WhatsApp e o ERP recebe esse processo já com ruído. Enquanto a legislação era mais conhecida e os times tinham rotinas consolidadas para contornar exceções, esse modelo operava com algum grau de tolerância. A partir da entrada dos novos formatos fiscais e da convivência entre regras antigas e novas, essa tolerância diminui.