Empresas ficariam responsáveis de desembolsar valor, o que críticos afirmam praticamente inviabilizar a contratação de trabalhadores com alta qualificação em áreas específicas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Passageiros no Aeroporto Nacional Ronald Reagan de Washington em 7 de maio de 2026 — Foto: Graeme Sloan/Bloomberg O governo do presidente americano, Donald Trump, planeja impor uma taxa de US$ 103 mil (R$ 531,4 no câmbio atual) para a emissão de vistos da categoria H-1B, destinados a profissionais estrangeiros qualificados. Uma proposta regulatória apresentada pelas autoridades na segunda-feira se aplicaria a quase qualquer pessoa em busca do visto — em uma iniciativa que ajudaria a financiar a ofensiva da Casa Branca sobre a imigração. A proposta ainda não está válida, e deve passar por um processo de aprovação antes de ser implementada. A proposta regulatória dispões que as empresas ficariam incumbidas de desembolsar o valor por cada candidato que patrocinassem para um visto H-1B — uma prática que, segundo opositores, tornaria o processo tão oneroso que fecharia, na prática, a maior parte do fluxo de entrada de trabalhadores com a qualificação desejada, como profissionais das áreas de tecnologia da informação, medicina e finanças. O programa de vistos H-1B tem sido a principal porta de entrada no mercado de trabalho para centenas de milhares de formados em universidades americanas e outros estrangeiros que trazem competências altamente demandadas. Nos últimos anos, porém, o programa se tornou um dos principais alvos dos críticos de uma política migratória mais permissiva, que afirmam que os H-1B prejudicam os trabalhadores americanos. Analistas alertam que, se um dos principais caminhos para trabalhar nos Estados Unidos desaparecer, o país perderá algumas das pessoas mais talentosas do mundo, que hoje têm mais opções no Canadá e na Europa, além de países em desenvolvimento de onde vêm muitos dos pedidos desta categoria de visto, como Índia e China. — Eles querem impedir que os empregadores americanos utilizem o H-1B. É realmente simples — disse Charles Kuck, advogado de Atlanta e ex-presidente da Associação Americana de Advogados de Imigração, em entrevista à Bloomberg. — A Índia vai adorar isso. A China vai adorar isso. A Europa vai adorar isso. A medida é o mais recente capítulo de uma ofensiva contra a imigração em todo o governo, que começou com um programa de prisões em massa e deportações voltado para pessoas que estavam ilegalmente no país, mas desde então se expandiu para praticamente todos os programas de imigração legal. Até julho, o governo Trump havia deportado cerca de 600 mil pessoas e prendido mais de 560 mil estrangeiros. Cada vez mais, essas prisões têm incluído pessoas que afirmam possuir vistos válidos e pedidos de imigração pendentes. 'Fuga de cérebros' As taxas também podem desestimular estudantes estrangeiros de irem aos EUA, já que um diploma americano frequentemente vinha acompanhado de uma autorização temporária de trabalho e da possibilidade de residência de longo prazo por meio de um H-1B. O número de estudantes internacionais que se candidataram a universidades americanas para este outono já caiu cerca de 10%, a maior queda em pelo menos uma década, segundo dados da plataforma de candidaturas universitárias mais utilizada do país. — Isso é especificamente direcionado a interromper o fluxo de estudantes estrangeiros, que, de muitas maneiras, são a força vital da educação nos Estados Unidos — disse James Hollis, advogado de imigração em Memphis. — Deveriam chamar isso de 'Regulamento da Fuga de Cérebros Americana'. A taxa proposta não parece se aplicar a estrangeiros que estejam renovando seus vistos nem àqueles recrutados por hospitais, algumas organizações sem fins lucrativos e universidades. Em junho, uma corte federal de Massachusetts derrubou a primeira política de Trump que previa uma taxa de US$ 100 mil para o H-1B, afirmando que a cobrança era um imposto que exigia aprovação do Congresso, e não uma penalidade regulatória. O governo recorreu, mas seu pedido emergencial para suspender a decisão foi negado no mês passado pelo Tribunal de Apelações do Primeiro Circuito dos EUA. A nova proposta de 67 páginas apresentada pelo governo Trump afirma que a taxa é necessária para compensar os custos de administração do programa de vistos e dos esforços mais amplos de fiscalização da imigração. Segundo o governo, a nova cobrança poderia gerar cerca de US$ 8,8 bilhões para ajudar a financiar órgãos que lidam com questões migratórias, incluindo os Serviços de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) e o sistema federal de tribunais de imigração. O Departamento de Segurança Interna (DHS) acredita que a taxa desencorajaria os empregadores a contratar "um trabalhador H-1B em vez de um trabalhador americano qualificado" a menos que a "necessidade seja legítima e não haja outra alternativa para obter as competências especializadas do funcionário". Mark Krikorian, diretor-executivo do Center for Immigration Studies, um centro de pesquisa de Washington que defende taxas menores de imigração, afirmou que a proposta do governo tem mérito. — A questão, é claro, é saber se isso resistiria juridicamente — disse ele. — Mas qualquer medida que melhorasse a qualidade dos H-1B e/ou reduzisse seu número seria um passo na direção certa. Não se vai importar mão de obra H-1B barata se for preciso pagar US$ 100 mil. (Com Bloomberg)