Ao entrar em um prédio e descobrir que precisa subir dez andares, você provavelmente toma uma decisão em poucos segundos. A escada está ali, é gratuita e ainda pode fazer bem à saúde. Mesmo assim, é provável que escolha o elevador. Não porque seja incapaz de subir pela escada, mas porque gratuidade não é o único critério da decisão. Você também considera tempo, esforço e conveniência.

Curiosamente, quando a decisão envolve dinheiro, muitas vezes abandonamos esse mesmo raciocínio. Se você possui R$ 1 milhão e encontra um imóvel de R$ 1 milhão, pagar à vista parece automaticamente a melhor alternativa. Afinal, usar o próprio dinheiro não tem juros, enquanto utilizar o dinheiro de terceiros tem um custo. Mas, assim como na escolha entre escada e elevador, olhar apenas para aquilo que parece gratuito pode levar à decisão errada.

Ao pagar R$ 1 milhão à vista, você pode pensar que economiza em juros, mas abre mão de algo que também tem valor: R$ 1 milhão de liquidez, que poderia continuar investido rendendo juros e disponível para emergências, oportunidades ou mudanças de planos. Portanto, a escolha não deveria ser simplesmente entre pagar ou não juros. Deveria considerar o custo de utilizar o dinheiro de terceiros e o custo de oportunidade de utilizar o seu próprio dinheiro.