Pela primeira vez, a disputa eleitoral conta com o auxílio de ferramentas capazes de criar imagens, vídeos e áudios realistas. No DF, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) conta com a Coordenação de Organização e Fiscalização de Propaganda Eleitoral (COFPE) para analisar as denúncias de irregularides. O órgão é formado por três juízes eleitorais, servidores e estagiários. "Não pode haver um conteúdo que seja falso nem ofensivo. Caso haja essa questão, se trata de uma propaganda irregular e poderá haver uma representação eleitoral para a remoção do conteúdo e aplicação de outras penalidades previstas na lei eleitoral", explica o juiz eleitoral Vitor Feltrim. Justiça eleitoral cria aplicativo para receber denúncias de irregularidades na propaganda política Segundo Feltrim, apesar de ainda não haver casos de uso irregular de inteligência artificial em análise no DF, o tribunal já recebeu mais de 100 denúncias por meio da ferramenta envolvendo propaganda eleitoral neste período pré-eleitoral. Como funciona a fiscalização As regras aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permitem o uso de inteligência artificial em campanhas eleitorais, desde que o conteúdo seja identificado de forma clara como produzido por IA e informe qual tecnologia foi utilizada. Segundo Feltrim, o TRE-DF tem acesso a ferramentas capazes de identificar materiais produzidos artificialmente e rastrear sua origem. Caso seja constatada irregularidade, o material poderá ser encaminhado ao Ministério Público Eleitoral. "Uma vez constatada sua falsidade ou conteúdo ofensivo, [o caso pode ser remetido] ao Ministério Público Eleitoral para eventual representação eleitoral e aplicação de sanções previstas na legislação eleitoral", explica. Entre as punições previstas estão remoção de conteúdo, multa e, em situações mais graves, consequências que podem atingir o registro da candidatura ou até o mandato do candidato eleito. O que pode ser considerado irregular IA nas eleições - pode ou não pode? Um dos principais desafios da fiscalização será diferenciar conteúdos criativos produzidos com inteligência artificial daqueles que configuram desinformação eleitoral. Feltrim cita como exemplo o uso da tecnologia para criar situações que nunca ocorreram. "Quando falamos em conteúdo falso, estamos nos referindo a situações como colocar, por inteligência artificial, o candidato A apoiando o candidato B quando isso nunca aconteceu", afirma. Segundo ele, além de informações falsas, conteúdos ofensivos e ataques a adversários também podem ser enquadrados como propaganda irregular. Responsabilidade também pode atingir apoiadores 🚨ATENÇÃO: a fiscalização não ficará restrita aos perfis oficiais de candidatos e partidos. Segundo o juiz, publicações feitas por terceiros e apoiadores também poderão ser investigadas pela Justiça Eleitoral. Como o eleitor pode se proteger O TRE-DF orienta os eleitores a adotarem cuidados antes de compartilhar conteúdos relacionados às eleições, principalmente aqueles que provocam reações emocionais intensas. "A primeira coisa é sempre desconfiar de conteúdos sensacionalistas, bombásticos, que estimulam o compartilhamento por meio do medo, da euforia ou de emoções fortes", afirma Feltrim. O que o TRE-DF recomenda ao eleitor: Não considere fotos e vídeos como prova definitiva de um fatoConsulte a página "Fato ou Boato", da Justiça EleitoralDenuncie conteúdos suspeitos pelo aplicativo PardalVerifique se conteúdos produzidos por IA estão identificados como tal Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF) — Foto: TV Globo/Reprodução Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
IA nas eleições de 2026: TRE-DF inicia fiscalização de campanhas | G1
O TRE-DF fiscaliza o uso de inteligência artificial nas eleições 2026 e alerta que propagandas irregulares podem resultar em multas e cassação de candidaturas.











